Veja 1 – Quando a sociedade reage
Por Diego Escosteguy e Ricardo Brito: “A sociedade brasileira vinha dando sinais de cansaço diante das bandalheiras em Brasília. Pouco ou nada reagiu quando o último mensaleiro foi absolvido, o deputado José Janene, acusado de sacar mais de 4 milhões de reais do valerioduto. Quase nada fez diante da absolvição dos primeiros sanguessugas julgados no […]
Por Diego Escosteguy e Ricardo Brito: “A sociedade brasileira vinha dando sinais de cansaço diante das bandalheiras em Brasília. Pouco ou nada reagiu quando o último mensaleiro foi absolvido, o deputado José Janene, acusado de sacar mais de 4 milhões de reais do valerioduto. Quase nada fez diante da absolvição dos primeiros sanguessugas julgados no Senado. Na semana passada, no entanto, os deputados e senadores, ao se autoconcederem um aumento salarial de 91%, conseguiram fazer com que uma parte dos brasileiros voltasse a reagir e, com manifestações de pequeno porte mas eficazes, acabasse colhendo uma vitória sonora. Houve manifestação em Brasília, reunindo estudantes, sindicalistas e mulheres de militares. Houve protestos em São Paulo, com 100 pessoas fazendo uma passeata no centro da cidade. Em Curitiba, um grupo de cinqüenta estudantes vaiou a diplomação dos deputados. No Rio de Janeiro, o asfalto do Leblon amanheceu pichado com palavras de repúdio ao aumento. Nada grandioso, tudo meio errático, mas o resultado é saudável: o aumento de 91% pode até vir a sair, mas, neste ano, nem pensar.(…)
A sociedade, mesmo quando se mobiliza, nem sempre conquista o recuo das autoridades, mas exemplos recentes mostram que as mobilizações populares surtem efeito de vez em quando (veja quadro). É assim que funcionam as democracias mais avançadas, onde é comum a opinião pública pressionar os governantes. Em abril passado, por exemplo, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, diante das manifestações dos estudantes que se espalharam pelo país, acabou forçado a revogar uma medida que permitia ao empregador demitir jovens sem justa causa durante os dois primeiros anos de trabalho. Em junho passado, em outro exemplo, o presidente George W. Bush enviou ao Congresso americano uma emenda constitucional que previa a proibição do casamento entre homossexuais. Como os republicanos compunham a maioria parlamentar, parecia fácil. Mas os movimentos de defesa dos direitos civis reagiram, chiaram – e a tal maioria republicana ruiu e a proposta foi derrubada. Nesse ambiente de confronto pacífico entre sociedade e governo, o jogo de pressão apenas reforça o vigor do regime democrático (clique sobre a imagem para ampliá-la).
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