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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

UM PERIGO CHAMADO SAMUEL

A destrambelhada política externa brasileira tem o seu animador circense: o Megalonanico Celso Amorim. E tem o seu Cérbero:, Marco Aurélio Top Top Garcia, o Rei do Tártaro. Mas o Cérebro é Samuel Pinheiro Guimarães, ex-número 2 do Itamaraty e sucessor de Mangabeira Unger na Sealopra. Ele é o homem que planejou a guinada do […]

Por Reinaldo Azevedo 21 mar 2010, 07h37 • Atualizado em 31 jul 2020, 15h41
  • A destrambelhada política externa brasileira tem o seu animador circense: o Megalonanico Celso Amorim. E tem o seu Cérbero:, Marco Aurélio Top Top Garcia, o Rei do Tártaro. Mas o Cérebro é Samuel Pinheiro Guimarães, ex-número 2 do Itamaraty e sucessor de Mangabeira Unger na Sealopra. Ele é o homem que planejou a guinada do Itamaraty para a esquerda.

    Em última instância, é o autor intelectual daquela patetice a que todos assistimos no Oriente Médio: Lulinha, filho de mãe que nasceu analfabeta e contaminado desde o nascimento pelo vírus da paz, levou a israelenses e palestinos o seu plano de paz. Teve uma idéia genial: “Por que todos não se sentam à volta de uma mesa e fazem a paz ‘que nem quando’ eu era sindicalista?” Mais um pouco, sugeriria aos convivas algumas rodadas de Black Label, “que nem quando” ele negociava duro com o Grupo 14 da Fiesp…

    Em sua mesa ecumênica — desde que Israel fosse condenado —, Lula propôs meter, calculem!, o Irã. Mahamoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, teve outra idéia: “Lula, peça a Ahmadinejad que pare de financiar os terroristas do Hamas…” Foi um vexame sensacional!

    Mas me desviei um pouco! Volto a Samuel. Poucos se dão conta de que este senhor vociferou quando o Brasil aderiu ao TNP, Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O homem não gosta desse negócio. Quando vemos o Brasil no apoio obstinado ao Irã, é preciso pensar que estamos sob a influência daquele que não nos queria assinar o TNP. Sim, vocês entenderam: se o Irã chega à sua bomba, outros se sentirão compelidos a fazer o mesmo. E tenho cá para mim que Samuel pode se perguntar: “Por que não a gente?”.

    O Estadão deste domingo traz uma entrevista de Pinheiro Guimarães a Roberto Simão. Seguem trechos. Volto depois:
    *
    Ex-número 2 do Itamaraty e sucessor do ministro Mangabeira Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães ataca “potências nucleares que não cumprem o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)”, mas exigem de países desarmados, como Brasil e Irã, “o estrito respeito de suas obrigações”. A dois meses de duas grandes cúpulas sobre a questão nuclear, uma em Washington, outra em Nova York, o ideólogo da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva questionou ao Estado a decisão brasileira de aderir ao TNP, em 1998, e afirmou que nem um compromisso dos poderosos em reduzir significativamente seus arsenais poderá fazer o Brasil assinar o chamado “protocolo adicional” do tratado. Guimarães coordena atualmente o esforço interministerial para conduzir o programa nuclear brasileiro. Tentando se esquivar de questões sobre política externa (“Não me ocupo mais disso”), o ministro deu sua opinião sobre a suposta “partidarização” do Itamaraty e negou acusações de envolvimento na crise hondurenha.

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    Por que o Brasil não assina o protocolo adicional do TNP?
    O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e o conhecimento completo do ciclo de enriquecimento. Nossa Constituição obriga o uso de tecnologia nuclear somente para fins pacíficos e é preciso lembrar que o TNP, do qual somos signatários, tem duas partes. De um lado, o compromisso dos países nucleares de promover seu próprio desarmamento – e completo. De outro, países não nuclearmente armados se comprometem a não desenvolver a bomba, mas têm o direito a programas para fins pacíficos, incluindo com enriquecimento de urânio. A primeira parte do TNP não foi cumprida, mas os desenvolvidos exigem dos outros o cumprimento estrito de suas obrigações.

    O presidente Barack Obama prometeu cortes drásticos nos arsenais americanos. EUA e Rússia estão prestes a concluir um acordo que substituirá o START e terá reduções significativas, e nos próximos meses haverá duas cúpulas sobre o tema. Há sinais claros de desarmamento. Isso não pode mudar a posição brasileira?
    Mas existe ainda outro problema, a da redução de ogivas e de aperfeiçoamento da letalidade do armamento. Deveríamos ter um protocolo adicional para países que continuam a desenvolver armamento nuclear e não cumprem suas obrigações. Quem não cumpre o TNP não tem moral para cobrar os outros. Sem contar que há países armados dos quais não se exige nada, muitos nem signatários do TNP são.

    O sr. se refere a Israel?
    Tire suas conclusões.
    (…)
    O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda afirmou que foi o sr. quem arquitetou a volta do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras.
    Não conheço o ex-chanceler. Nunca o vi na minha vida e não tenho a menor ideia de onde ele tirou isso. Se me lembro bem do texto, ele diz algo como “isso (a volta de Zelaya) é algo que só pode ter saído da cabeça de Pinheiro Guimarães”.

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    E o sr. avalia que o retorno de Zelaya foi bom para Honduras?
    Não falo de política externa.

    Comento
    Dois mais dois são quatro. A fala de Guimarães sugere o óbvio: o apoio do Brasil à “negociação com o Irã” é apoio à bomba do Irã. O diplomata usa o TNP, que despreza, para igualar moralmente Israel e Irã. É mesmo? Um não ameaça destruir ninguém; o outro PROMETE destruir. Um se defende de ataques terroristas; o outro financia e pratica terrorismo em três países; um é uma democracia; o outro, uma ditadura teocrática.

    E ANTES QUE ME TORREM A PACIÊNCIA: Israel ocupa territórios que conquistou quando reagiu a uma aliança que buscava destruí-lo. Nem por isso eu acho que não deva negociar a devolução.

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    Eu escrevi: “NEGOCIAR” — vale dizer, COM CONDIÇÕES! E o fim do terror é uma delas. Sem isso, nada feito. Sem isso, Israel não tem de trocar território por paz coisa nenhuma porque seria o mesmo que trocar território por terrorismo. Quem quiser maiores explicações que veja o que aconteceu na Faixa de Gaza… Israel deixou a região, e o Hamas tomou conta. Acabou expulsando até a Fatah de lá.

    Pinheiro Guimarães explicita a “boa-vontade” de Lula no Oriente Médio e sua aguda visão sobre a “paz”. Segundo o seu raciocínio, com a bomba, fica tudo mais fácil. Ah, sim: referindo-se aos EUA, afirma que “quem invadiu o Iraque não tem moral para cobrar o Irã”. É a fala que foi parar na machete da página. Digamos que os EUA tenham cometido um erro (não acho, já escrevi!!!), isso implica que não se deve impor limites ao Irã? Mais: desta feita, nem Rússia nem China estão com o Brasil…

    É a esta gente que está entregue a política externa.

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