Relaxar-gozar e gozar-relaxar à luz da sintaxe e da moral
Pergunta-me outra leitora, sobre a recomendação histórica de Marta, “Relaxa e goza”, se não se deveria inverter a ordem: gozar primeiro, relaxar depois. Faz sentido. Só que se trata de situações distintas, leitora amiga. Você está se referindo a relações consensuais, que costumam ser assim — aos menos para os homens, hehe. Mulheres continuam sempre […]
A frase infeliz da então ministra do Turismo trata de outra coisa, esta perversa. Se bem se lembram, o “relaxa e goza” são orações principais, coordenadas entre si, que têm uma subordinada condicional terrível. O período composto completo é assim: “Se o estupro é inevitável, relaxa e goza”. Sim, acho dispensável apontar o que há de brutal, de violento, de asqueroso em tal construção. Não se trata apenas de fazer limonada do limão, mas de sugerir a cumplicidade prazerosa da vítima com seu carrasco.
Tanto pior que uma suposta especialista em comportamento sexual tenha dito tal coisa. Quem criou a frase estava fazendo a apologia do estupro, seja o físico, seja o moral.







