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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Pesquisa operacional? Que coisa feia!

Vejam o que vai abaixo, da Folha de S. Paulo. Volto depois: Por Rafael Garcia. Volto depois:Os cientistas brasileiros precisam se dedicar mais a encontrar aplicações para o conhecimento que produzem, e a utilidade faz, sim, parte da razão de ser da ciência, afirma o novo líder da maior agremiação de cientistas do país. “Essa […]

Por Reinaldo Azevedo 6 jul 2007, 20h38 • Atualizado em 31 jul 2020, 22h20
  • Vejam o que vai abaixo, da Folha de S. Paulo. Volto depois:

    Por Rafael Garcia. Volto depois:
    Os cientistas brasileiros precisam se dedicar mais a encontrar aplicações para o conhecimento que produzem, e a utilidade faz, sim, parte da razão de ser da ciência, afirma o novo líder da maior agremiação de cientistas do país. “Essa utilização é fundamental para a sociedade compreender que ciência é importante e até para justificar os investimentos na ciência”, disse à Folha o matemático Marco Antonio Raupp, eleito ontem presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

    Além de insistir na atuação dos cientistas para que a inovação cresça o Brasil, Raupp venceu a eleição batendo na tecla da descentralização do sistema brasileiro de ciência e tecnologia. “Veja, por exemplo, os desafios que temos para o conhecimento da Amazônia, do semi-árido e do Pantanal, regiões importantíssimas para o país chegar a um modelo de desenvolvimento auto-sustentável”, diz. “Tem de descentralizar, mas agindo sempre cooperativamente com os centros que já têm tradição e qualidade. A SBPC tem batalhado por isso.”

    Com o apoio do atual presidente da entidade, Ennio Candotti, Raupp venceu o farmacólogo Renato Balão Cordeiro numa eleição disputada. Após um inédito empate, o matemático ganhou um segundo turno com uma diferença de apenas 15 votos (544 a 529).

    Raupp afirma que não falta peso à SBPC para influenciar os rumos do país. “Não concordo que a SBPC esteja menos ativa que antigamente”, diz, rebatendo uma crítica freqüente. “O que acontece é que ela não tem tanto destaque quanto teve na época da luta pela democratização, quando tinha uma posição contra o regime e ganhou as páginas dos jornais.”

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    Em sua defesa da inovação e da ciência aplicada, Raupp afirma que os cientistas também têm responsabilidade. “A Lei de Inovação [que incentiva empresas a desenvolver tecnologia] vem no sentido de estimular a área, mas qualquer pessoa com experiência também sabe que não dá para resolver a coisa por decreto”, afirma. “É preciso praticar as idéias que estão dentro desses códigos legais e explorar isso.”

    Voltei
    Que absurdo! Chamem a Laura Capriglione e a Marilena Chaui. Esse negócio de querer que pesquisa tenha alguma utilidade é puro obscurantismo, ora essa! A ciência deve ser como o pior soneto parnasiano: perfeito, ainda que não diga nada. Se você duvida de sua utilidade, é porque é só um leigo. Em tempo: existem grandes poetas parnasianos. E Olavo Bilac era excelente!

    Se bem se lembram, os remelentos e mafaldinhas da USP exigiram, e nisso foram bem-sucedidos, que o governo de São Paulo retirasse do texto de um dos decretos o adjetivo “aplicada”, que vinha qualificando o substantivo “pesquisa”. A suposição é que isso condicionava a investigação científica apenas às exigências do mercado.

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    Trata-se de uma estupidez obscurantista. Quando se indaga a utilidade de uma pesquisa, a pergunta não busca identificar a sua função genérica. Não cabe a pergunta: “Para que serve?” Mas cabe a pergunta: “Para que serve no âmbito da disciplina em que tal especulação se insere?” Aí, sim. Logo, qualquer pesquisa ou é aplicada ou não serve pra nada. Digamos que aquele meu amigo que dá aula na pós-graduação de Letras Clássicas da USP oriente uma tese sobre Horácio ou Ovídio. Eu tenho cara de quem acha isso desimportante? Acho importantíssimo. Não serve para comer, beber, fumar ou cheirar (hoje em dia, é um critério importante das pesquisas…), mas é preciso saber que UTILIDADE PRÁTICA a pesquisa tem para a compreensão de Ovídio ou de Horácio. Ou do tempo em que viveram. Ou da literatura latina.

    Ou a pesquisa vira bordado, filigrana, mera ilustração. Tudo bem se for financiada com dinheiro privado. O sujeito quer investigar o conceito de espaço da Gotham City de Batman (essa tese existe)? Ah, investigue. Quem sabe os detentores dos direitos autorais do gibi ou do filme não se interessem… Se é com a minha e com a sua grana, é bom dizer por quê. Ou Gotham City ajuda a pensar a geografia, e aí a coisa faz sentido. Ou a geografia ajuda a entender melhor a história em quadrinho. Nesse caso, o departamento não é a geografia. Isso tudo é tão evidente que chega a ser aborrecido.

    Uma pesquisa não precisa ser utilitária como um bom-bril. Mas também não pode se confundir com uma idiossincrasia acadêmica.

    Não há nada de errado em se perguntar: “Para quê?”

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