Os tocadores de tuba
De todas as boçalidades que o lulo-petismo midiático lançou no mercado das idéias, a mais espantosa, sem dúvida, é aquela que atribui às oposições o debate sobre o terceiro mandato consecutivo de Lula. Seus autores ou propagadores, basta proceder a uma rápida pesquisa, são os de sempre: os tocadores de tuba do petismo. Vamos ver. […]
De todas as boçalidades que o lulo-petismo midiático lançou no mercado das idéias, a mais espantosa, sem dúvida, é aquela que atribui às oposições o debate sobre o terceiro mandato consecutivo de Lula. Seus autores ou propagadores, basta proceder a uma rápida pesquisa, são os de sempre: os tocadores de tuba do petismo.
Vamos ver. Tratei pioneiramente desta possibilidade, quase ao mesmo tempo em que o professor Leôncio Martins Rodrigues, numa entrevista, abordou a mesma hipótese. Evidentemente, os especialistas no instrumento de sopro apressaram-se em negar a possibilidade antes mesmo que o dono da tuba se manifestasse. “Onde já se viu?” “Um absurdo!” “Que asneira!”
O mais espantoso é que a fonte mais confiável a que recorrem para negar a hipótese é, por que não?, o próprio Lula. Como diria Catulo (o latino, não o da Paixão Cearense) sobre as mulheres, o que Lula fala se escreve na água com o vento. Ora, quem precipitou o debate eleitoral? Foram as oposições ou foi Lula? Ah, sim: Catulo estava com dores de amores; não era um juízo moral, viu, moças?
Bastava — e, a rigor, basta — ouvir os seus discursos para que se perceba a tentação permanente do continuísmo. Ainda hoje, falando no Espírito Santo, demonizou os últimos 500 anos da história do Brasil anteriores à sua chegada à Presidência — segundo ele, governados pelo… PFL. De todo modo, o assunto dormitava, meio inerme, até que se detectassem movimentos de petistas da cozinha presidencial (ou da área de serviço) em favor da possibilidade do terceiro mandato.
Em recente entrevista, Tião Viana (PT-AC), presidente em exercício do Senado, saiu-se com um raciocínio muito interessante. Noves fora, é o seguinte: a rejeição da CPMF é ruim para o Congresso, e um Congresso fraco, segundo ele, quem diria?, poderia abrir a porta para um terceiro mandato. Assim, segundo Viana, um capa-preta do petismo, um bom modo de evitar as tentações continuístas de Lula é fazer tudo o que quer… Lula.
Conversa mole. Petistas e seus tocadores de tuba, defensores envergonhados do terceiro mandato, frustraram-se ao perceber que o debate sobre o tema “pegou”, o que obrigou Lula a sucessivas negativas, ainda que oblíquas. Os petistas queriam e querem o terceiro mandato. Lula também. A tese é cria do partido. Atribuí-la à oposição — porque, assim, ela poderia exibir a sua face golpista — é só uma vertente do trabalho sujo que certo jornalismo vêm prestando ao governo.
De resto, dois mais dois somam quatro. Se o Apedeuta diz não ver nada de errado na possibilidade da reeleição ilimitada de Chávez e usa como exemplo o que ocorre em regimes parlamentaristas, deve-se concluir o óbvio. Ora, se, na comparação imprópria, Blair é igual a Chávez, por que, numa associação de idéias apropriada, o que vale para Chávez não poderia valer para Lula?
De todas as porcarias que o lulo-petismo trouxe para o Brasil, nada é tão porcaria quanto o jornalismo dos anões tocadores de tuba.





