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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

OS CRIMES DELES E OS CRIMES DOS OUTROS

Que importância tem Wilson Simonal?”, perguntam-me uma ou outra pessoa. Em si mesma, a questão parece não ter grande alcance político, mas ela sintetiza uma postura – e talvez seu alcance vá além do que parece, ou o maior jornal do país não lhe teria dedicado três páginas. Num feito realmente inédito, o repórter recicla […]

Por Reinaldo Azevedo 23 jun 2009, 06h41 • Atualizado em 31 jul 2020, 17h24
  • Que importância tem Wilson Simonal?”, perguntam-me uma ou outra pessoa. Em si mesma, a questão parece não ter grande alcance político, mas ela sintetiza uma postura – e talvez seu alcance vá além do que parece, ou o maior jornal do país não lhe teria dedicado três páginas. Num feito realmente inédito, o repórter recicla a própria reportagem, feita há nove anos, para, visivelmente, contestar uma suposta leitura revisionista que estaria sendo feita. Por que digo “estaria”? Porque, como se sabe e é público e notório, ninguém endossou o crime contra o contador. Ocorre que, antes como agora, Simonal não está sendo julgado e condenado por aquilo que fez. É quase o contrário: usa-se a ocorrência para alimentar o que não passa de uma fantasia. E isso, com efeito, é mais importante do que parece. Antes que volte a este ponto, uma consideração que talvez facilite algumas sinapses.

    Para Simonal – ou, vá lá, para a sua biografia -, é uma má sorte não ter sido acusado de assassinato. Porque de tal acusação, é óbvio, teria se safado com facilidade. Desde logo e de sempre, alguém se lembraria de perguntar: “Matou quem?” E a ausência de resposta descaracterizaria o crime. Ocorre que a acusação feita no passado e refeita agora – “informante” – pode subsistir no vácuo, pode ser feita sem história. Afinal, o que foi que ele “informou” sobre o meio artístico? Quais são e onde estão as suas vítimas? Não há nada. Tem-se apenas um exemplo escandaloso do pior jornalismo a serviço de uma causa.

    Qual causa? A esquerda não aceita luzes sobre seu passado; não aceita nada que não seja o lugar da vítima. Não é por acaso que não se conhecem nem mesmo os nomes das pessoas que matou em sua “luta contra a ditadura” – que também era uma luta pela implantação de uma… ditadura. A simples menção ao passado deste ou daquele fora de um contexto virtuoso levanta uma grande onda de indignação. O objetivo é “blindar”, em sentido militar mesmo, o seu passado. A palavra chegou ao português via francês e remete ao verbo alemão “blenden”: “cegar, ofuscar”. Sim, na mesma origem está a palavra inglesa “blind”, verbo e substantivo, e derivações. O passado da esquerda está blindado, protegido por viseiras e mistificação. E, diante dele, devemos optar pela cegueira.

    A ficha falsa
    Querem uma prova? Basta ver a indignação com a tal “ficha falsa” de Dilma publicada pela própria Folha. Tudo indica, de fato, que era uma montagem que circulava na Internet. E ela fez bem em reclamar. Mas a coisa não parou por ali. Fez-se da dita-cuja mero pretexto para escoimar o passado de Dilma de suas inconveniências. A ex-dirigente da VAR-Palmares veio a público para declarar, sob o silêncio cúmplice da larga maioria, que ela havia cometido apenas “crime de organização”. De organização?  Duas perguntas com respostas:

    Pergunta 1 –  O que ela “organizava”?
    Resposta –
     A VAR-Palmares.

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    Pergunta 2 – E a VAR-Palmares organizava o quê?
    Resposta –
    Lembro só algumas coisas, que muitos pretendem chamar “resistência” – e que eu chamo “terrorismo”:
    – 01/07/1968 – A execução de Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, major do Exército alemão (na verdade, morto pela Colina, grupo que depois ajudou a formar a VAR-Palmares. Em 1968, Dilma era do Colina);
    – 12/10/1968 – Execução de Charles Rodney Chandler, capitão do Exército dos EUA;
    – 31/03/1969 – assassinato do comerciante Manoel da Silva Dutra, durante assalto ao Banco Andrade Arnaud, no Rio. Carlos Minc estava no grupo.
    – 11/07/1969 – Assassinato de Cidelino Palmeiras do Nascimento, motorista de táxi (conduzia policiais em seu carro), decorrência do assalto ao Banco Aliança;
    – 18/07/1969 – Roubo do “Cofre do Adhemar”. O dinheiro nunca apareceu;
    – 24/07/1969 – O assassinato do soldado da PM-SP Aparecido dos Santos Oliveira, decorrência de um assalto a uma agência do Bradesco, de que a VAR-Palmares fez parte;
    – 22/10/1971 – Assassinato de José do Amaral, suboficial da reserva da Marinha;
    – 05/02/1972 – Assassinato de David A. Cuthberg, marinheiro inglês, de 19 anos, que visitava o Brasil com sua fragata. Quatro membros da VAR-Palmares estavam entre os executores. Crime do rapaz: seu uniforme representava o imperialismo inglês…

    A onda de indignação que se seguiu à publicação da “ficha falsa” tentou transformar Dilma numa espécie de freira dos pés descalços. Parecia que era dirigente da VAR-Palmares para promover a Primeira Comunhão das moças católicas. Para os “inimigos”, a ausência de provas que condena; para os amigos, o excesso de provas que absolve. David A. Cutherberg, por exemplo, morreu sem saber por quê, mas a VAR-Palmares sabia muito bem por que o matou: tinha uma utopia… Reação obviamente histérica aconteceu, também, por ocasião do termo “ditabranda”. Como escrevi aqui, até entendo que muitos contestem o emprego de tal palavra. Mas se aproveitou o episódio para, uma vez mais, reciclar uma falsa história de santos e demônios.

    Não se enganem: a tentativa de esmagar Simonal é só uma forma de contar a história dos vivos, não dos mortos. E não se trata de nenhuma conspiração. Não lido com misticismos. Fosse uma, seria algo até mais fácil de combater porque conspirações têm um centro, um núcleo. Lida-se com algo bem pior: com uma cultura.

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