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Oriente Médio – Lógica assassinada e dialética perturbada

(ler primeiro o post abaixo) As criançasVejam lá. A palavra “represália” está alguns graus acima de “reação”, que é mais referencial. Israel nunca reage, como vocês sabem. No mínimo, ele se vinga. O Hamas joga dois foguetes contra o seu território, e, guerreiro, ele pensa logo em “represália”, palavra mais adequada à acusação permanente de […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 18h15 - Publicado em 29 jan 2009, 16h41
(ler primeiro o post abaixo)
As crianças
Vejam lá. A palavra “represália” está alguns graus acima de “reação”, que é mais referencial. Israel nunca reage, como vocês sabem. No mínimo, ele se vinga. O Hamas joga dois foguetes contra o seu território, e, guerreiro, ele pensa logo em “represália”, palavra mais adequada à acusação permanente de falta de proporcionalidade. E, como conseqüência dela, o que temos? “Um militante e sete crianças feridos”. Sempre as crianças.
Um leitor que estivesse investido de lógica elementar faria algumas constatações e se colocaria algumas questões. O bombardeio, fora de um ataque maciço, foi certamente pontual. Pois bem. Que diabo de alvo era esse onde estavam “um militante e sete crianças”? Que estranho grupo é esse? A fonte de informação é, certamente, a militância palestina, que tem o interesse de maximizar o número das vítimas civis e infantis. Ou bem se informa a fonte ou bem se escolhe uma forma verbal que possa abrir espaço à dúvida. Sempre podemos inferir que, entre as armas terríveis e secretas da conspiração judaica, está um “Detector de Crianças Palestinas”. Depois de atingir um “militante”, sai perseguindo infantes, como aqueles buscapés. Se militantes e crianças são atingidas num mesmo ataque, ou estamos diante de uma mentira, ou os militantes estão fazendo reféns as crianças, o que deveria ser investigado pela ONU.
Mas Isso tudo que escrevo é lógica elementar. Não tem serventia para os porta-vozes involuntários do Hamas

Mitchell
É interessante também a relação de oposição que se tenta criar entre a presença de Mitchell na região e a reação israelense. É mais uma manifestação do Obamocentrismo, essa nova percepção do mundo, que superou os conhecidos teocentrismo e antropocentrismo, segundo a qual basta anunciar uma coisa, que a coisa acontece. Ele está por lá? Grande contribuição de Obama, sem dúvida! Mas ou os terroristas param de jogar foguetes, ou Israel continuará a reagir, sem Mitchell ou com ele.

“O militante”
O militante é um terrorista. Era do Hamas e, agora, pertence ao jihadismo, o terrorismo global islâmico. A suposição de que há uma divisão clara entre esses grupos não passa disto: suposição. O berço de todos eles é a Irmandade Muçulmana. Podem divergir aqui e ali, mas a fronteira é mais porosa do que aquela que separa a Faixa de Gaza do Egito… Alguns sustentam que Bush e Israel são responsáveis por aproximar o jihadismo dos terrorismos locais, alguns de vertente nacionalista. Ainda que fosse verdade, o fato é que se misturaram. E, bem, eu considero que a culpa de haver terrorismo sempre será dos terroristas. Sem qualquer concessão ao contraditório.

As Brigadas dos Mártires de al-Aqsa
As tais brigadas, braço armado do Fatah, voltam ao noticiário. É interessante falar delas. São um exemplo de como Yasser Arafat, a velha raposa, negociava “a paz”. Oficialmente, o Fatah reconhece a existência do estado de Israel. Mas nunca abriu mão de ter seus terroristas. Reitero: estamos falando de uma tendência laica e considerada moderada. O Hamas é que é religioso e sectário. Será que consegui ser claro na sugestão?

Eleições
As eleições continuam a ser usadas, com menos ou mais ênfase, contra Israel. A sugestão de sempre é que a reação aos palestinos busca só a vitória nas urnas — fica no ar, assim, uma coisa de “trocar sangue por votos”.
Uma opinião, para ser sustentável, tem de ter um amparo lógico mínimo. O governo de Israel é uma coalizão entre os, vá lá, “esquerdistas” (para padrões israelenses) do Partido Trabalhista e os moderados do Kadima, certo? O “direitista” Likud é favorito e defende uma reação ainda mais dura aos palestinos. Segundo a lógica perturbada de que “é tudo eleição”, forçoso seria concluir que o endurecimento do atual governo não deixa de ser um esforço para manter o poder nas mãos dos moderados — e, pois, segundo essa ótica, isso seria o desejável. Num daqueles movimentos que as mentes perturbadas chamam de “dialética”, o atual governo de Israel estaria é protegendo os palestinos da turma do Likud. O raciocínio é estúpido? Claro que é. Mas não é meu.
Ah, bem: se Israel fosse uma ditadura de modelo árabe, é evidente que essa questão do suposto cinismo eleitoral não existiria.

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