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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O que evidencia o mapa da violência

Leiam trechos de uma reportagem do Estadão On Line, de Lisandra Paraguassú. Depois retorno. As mortes por homicídios no Brasil concentram-se em 556 de 5.560 municípios brasileiros, em cerca de 10% das cidades do País, afirmou um estudo elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) com apoio do […]

Por Reinaldo Azevedo 27 fev 2007, 20h08 • Atualizado em 31 jul 2020, 22h39
  • Leiam trechos de uma reportagem do Estadão On Line, de Lisandra Paraguassú. Depois retorno.
    As mortes por homicídios no Brasil concentram-se em 556 de 5.560 municípios brasileiros, em cerca de 10% das cidades do País, afirmou um estudo elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) com apoio do Ministério da Saúde. Segundo a pesquisa, as mortes violentas estão se deslocando das capitais para o interior do País.
    A campeã brasileira na taxa de mortes por 100 mil habitantes chama-se Colniza, fica no Mato Grosso, próxima às divisas com Rondônia e Amazonas. Criado há apenas nove anos, o município tem cerca de 13 mil habitantes e mais de 20 assassinatos por ano nos últimos três anos – o que chega a uma taxa de 165 mortes por 100 mil habitantes.
    (…)
    Ao contrário do que normalmente se espera, o mapa dos municípios não concentra essa situação apenas nas zonas metropolitanas, em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo. Apesar dessas regiões ainda estarem entre as mais violentas do País, em vários casos perdem para municípios pequenos que, aparentemente, não teriam razões para tantas mortes. É o caso de Colniza e boa parte dos 10 municípios mais violentos do País. Nessa lista não está nenhuma capital e, entre os 10, apenas Serra (ES) e Ilha de Itamaracá (PE) figuram em áreas metropolitanas.
    Estão nas áreas de fronteira e, principalmente, do arco do desmatamento da Amazônia alguns dos lugares mais violentos do País. Assim como Colniza, Juruena, São José do Xingu e Aripuanã, todos no Mato Grosso e Tailândia (PA) fazem parte da mais nova fronteira agrícola do País onde ainda impera uma impressão de terra sem lei. Foz do Iguaçu (PR) e Coronel Sapucaia (MS) estão em regiões de fronteira onde tráfico e contrabando fazem parte da realidade.
    Apesar da violência crescente nas terras escondidas do Brasil, as taxas de homicídios nas grandes cidades não podem ser esquecidas.
    Apenas sete capitais não aparecem na lista de 10% mais violentas do País e as áreas metropolitanas de boa parte dos Estados têm situações preocupantes. É o caso do Rio de Janeiro, Pernambuco e Espírito Santo.
    Realizado desde 1998, o Mapa da Violência do Brasil – que não incluía o recorte por municípios – já apontava Pernambuco e Espírito Santo como os dois Estados mais violentos do País. O levantamento municipal mostra agora que 45,4% das cidades pernambucanas estão na lista das mais violentas, incluindo Recife e sua zona metropolitana. No Rio de Janeiro, 44,6% das cidades estão na lista.

    VolteiO que interessa do que vai acima?– Está comprovado — de novo, pela enésima vez — de que se trata de uma balela a suposição de que a violência tem origem social, motivada pela pobreza, pelo baixo crescimento econômico ou seja que lá que explicação as esquerdas pretendam dar;– Está comprovado que uma das causas da violência é a falta de Estado. Vejam lá. As cidades mais violentas ou estão em áreas de fronteira — na divisa com outros países — ou são fronteiras econômicas. Sabem o que isso significa? Que a responsabilidade é federal. A quem cabe vigiar essas regiões? À Polícia Federal. Esses crimes nada têm de “social”: ou estão ligados ao tráfico de drogas e de armas ou à pistolagem;– O fato de a violência no interior do Brasil ser espantosa não quer dizer que a situação das capitais seja muito melhor. O dado só serve para evidenciar a histórica irresponsabilidade do governo federal, sem aliviar as costas dos governos estaduais;– E por que o crime se extrema nessas regiões? Ora, por causa da impunidade, causa também da explosão da violência nas grandes cidades. O bandido aposta que não vai ser pego. Se pego, aposta que não cumprirá a pena até o fim. Se não ganhar na primeira, ganha na segunda. Pode ser morto antes (para ser pranteado pelos nossos cineastas e humanistas)? Pode, claro. É um risco do ramo que ele escolheu: viver com do suor alheio — quando não é da vida alheia.

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