Não repudio a gravidade do velho, mas a tolice do moleque
Ah, mas era fatal, não é mesmo? Estou quieto, no meu canto, Alberto Dines me chama de “cão de guarda” num texto em que é evidente que decidiu demonstrar, como de hábito, que os outros jornalistas não entenderam nada, eu respondo, e um internauta escreve (reproduzo apenas um de uma série de comentários): Deixa de […]
Deixa de ser chato. Cão de guarda foi a tradução para “watchdog”, um termo que representa o que você faz na imprensa brasileira, muito bem por sinal. Nos EUA, há vários “watchdogs” que são referências em várias áreas do conhecimento. Acredite, Dines, um perseguido pela petralhada, foi técnico ao classificá-lo e não o desqualificou. Você é um cão de guarda. A democracia precisa de vigilantes, lembrando a velha UDN.
Dines não precisa me “elogiar” em inglês — até porque ele sabe me atacar em português. E foi o que fez. Se eu decidisse responder a todos os ataques de que sou vítima na Internet, não faria outra coisa na vida. Respondo muito de vez em quando. E quando acho que é o caso. Desta vez, resolvi lhe dar um pouco de audiência; decidi jogar uma moedinha no seu chapéu. Ele é dono de seus ataques. Eu sou dos meus contra-ataques.
Existem por aí alguns vagabundos que pretendem pautar tanto a ofensa que lhe dirigem como a sua resposta: “Eu bati, mas seja educado ao responder”. Ah, eu fui. Até com uma ilustração. Na minha figuração, estou para Antero de Quental, assim como Dines está para Castilho. É claro que é uma sacanagem com o romântico português. A cegueira deste era apenas física; a de Dines é intelectual. Incapaz de dizer ou de produzir qualquer coisa de relevante, resolveu ser o oráculo. E não é. Faz suas escolhas como qualquer um de nós. Seus preconceitos e ideologia não são uma categoria de pensamento. São apenas seus preconceitos e sua ideologia. Se ele voltar ao tema e se eu estiver na sua sopa insossa, apanha de novo. Até ao menos eu me cansar do seu traseiro e resolver chutar um outro.
De resto, o problema dele nem é comigo, mas com a VEJA. Alberto Dines, na sua função auto-instituída de juiz do jornalismo, é aquele que decretou que a primeira reportagem da revista sobre Renan Calheiros era inconsistente. Não fosse uma bobagem em si, o tempo se encarregaria de provar o seu erro brutal. A prudência deveria lhe ter recomendado que aguardasse o desdobramento dos fatos. Qualquer foca (jornalista iniciante) sabe que uma grande apuração não se esgota numa reportagem (ainda que aquela já não fosse, como era, bastante eloqüente).
Mas e o que fazer com a disposição de sempre de atacar a VEJA? Então volto a Quental: tivesse ele 50 anos a menos de idade, e não se exigiria que tivesse 50 anos a mais de reflexão. Falta a Dines, para que seja a personagem que imagina ser — um “observador” da imprensa que mora na torre de marfim —, o devido cuidado com o trabalho alheio. Mas isso é uma questão de caráter. Continuará, lá de sua torre imaginária, a jogar pedras naqueles que imagina seus adversários. Ainda que viva outros 50 anos, sua vaidade sem lastro o impede de se comportar como adulto.
O que me incomoda em Dines, reitero, não é a sua gravidade de velho, mas a sua tolice de moleque.





