Na garupa: duros, mas sem perder a ternura
Che (Gael García Bernal) e Granado (Rodrigo de la Serna) em Diários de Motocicleta Ai, ai. Leiam uma notícia que está na Agência Pará, órgão oficial de notícias do estado, dedicada a cantar as glórias da estimada líder, a petista Ana Júlia Carepa: “No dia em que comemoraria 79 anos, 08 de outubro, um dos […]
Che (Gael García Bernal) e Granado (Rodrigo de la Serna) em Diários de MotocicletaLeiam uma notícia que está na Agência Pará, órgão oficial de notícias do estado, dedicada a cantar as glórias da estimada líder, a petista Ana Júlia Carepa: “No dia em que comemoraria 79 anos, 08 de outubro, um dos maiores líderes da revolução cubana e personagem histórica na América Latina, Ernesto Guevara Lynch de la Serna, mais conhecido como Che Guevara, será lembrado pelo grupo de Pesquisa Sociedade, Ciência e Ideologia da Universidade do Estado do Pará (UEPA), no Simpósio Científico: ‘Che e a América Latina: a utopia que permanece’. O evento, que acontece a partir das 9h no auditório do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE/UEPA), tem como objetivo debater o papel histórico do revolucionário.”
Pois é. Não vou me estender sobre as qualidades do Porco Fedorento. O fato é que os “historiadores” começaram mal, não é? Guevara NÃO NASCEU em 8 de outubro. Nós, os democratas, comemoramos hoje o dia de sua PRISÃO. Oficialmente, a data de seu nascimento é 14 de junho de 1928. Como não poderia deixar de ser, também isso é falso no mito: a data real é 14 de maio. Segundo o biógrafo Jon Lee Anderson, sua mãe já estava grávida quando se casou e o registrou apenas um mês depois do nascimento, forjando um parto de sete meses, já que ele veio à luz seis meses depois do casamento. O Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), ao qual pertenceu o ministro Franklin Martins, buscava fazer alusão à data da morte do facínora. Também errou. Ele foi executado no dia 9.
O texto da agência oficial de notícias, cheio de aspas de guevaristas, informa ainda que será exibido o filme Diário de MotocicletaS (sic), de Walter Salles. Não pode ser. Era mais de um diário para uma motocicleta, e o filme se chama DiárioS de Motocicleta. Havia uma só. Guevara e seu amigo Alberto Granado revezavam-se na tarefa de endurecer sem perder a ternura: a cada pouco, um ia para a garupa.
Pará revolucionário
A revolução, diga-se, está com tudo no Pará. Leiam nota que está na seção Holofote, da VEJA desta semana: “A governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, convidou os músicos cubanos Pablo Milanés e Chucho Valdéz para cantar em Belém, em uma feira cultural que fez apologia do regime de Fidel Castro. Os artistas, que são comunistas mas não são bobos, exigiram cachê de 126 000 reais, em dinheiro vivo. A petista mandou pagar a conta, sem autorização legal para isso. Agora, tenta descolar um patrocínio na Eletrobrás, para reembolsar os cofres públicos.”
Ana Júlia, aliás, é mesmo um portento. Cumpre lembrar alguns hábitos espartanos desta guevarista. A primeira é mais notável característica da líder é sua generosidade com ex-maridos. Como escrevi aqui em abril deste ano, ser ou ter sido seu marido vale como uma espécie de seguro-desemprego no Pará. E ela só se relaciona com homens que têm vocação para o serviço público:
Quando Ana Júlia se move, a corte de Xerxes fica com inveja. Na Semana Santa, deslocou para a casa de praia de Salinas, uma das disponíveis para a governadora, nada menos de 22 assessores, além do namorado. Todos com, digamos, “diárias” pagas. Esse séqüito incluía uma dermatologista e uma cabeleireira, o que, quero crer, garante a sua afamada exuberância. Saiba mais desse novo modo de administrar o Pará na reportagem de Victor De Martino na VEJA de 25 de abril de 2007 (clique aqui).







