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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Lula, o torneiro-mecânico

O melhor da conversa de Lula com os jornalistas ficou para o fim, quando estava posando para as fotografias. Parece que alguém lhe perguntou se era de esquerda, e ele respondeu: “Quando me perguntam, digo que sou torneiro-mecânico”. E depois afirmou que é católico na religião e corintiano no futebol. Estava tentando ser engraçado. Ai, […]

Por Reinaldo Azevedo 22 dez 2006, 21h43 • Atualizado em 31 jul 2020, 22h52
  • O melhor da conversa de Lula com os jornalistas ficou para o fim, quando estava posando para as fotografias. Parece que alguém lhe perguntou se era de esquerda, e ele respondeu: “Quando me perguntam, digo que sou torneiro-mecânico”. E depois afirmou que é católico na religião e corintiano no futebol. Estava tentando ser engraçado. Ai, afetando um ar grave, teve um daqueles surtos de lógica tautológica que costumam acometê-lo. Reparem que primor, daqueles que devem deixar Marilena Chaui e Emir Sader suando frio de excitação intelectual (eu até pensei que vinha uma das poucas tolices que Norberto Bobbio disse na vida, mas não; era uma tolice lulística: ele não precisa citar ninguém, hehe): “Se ser de esquerda é pensar o que eu penso, então eu sou de esquerda”. É maravilhoso! Trata-se de uma verdade tão geral, que percebam que o termo “esquerda” é permutável por qualquer coisa, de bom ou de mau. Sei lá: “Se ser idiota é pensar o que eu penso; então sou idiota”; “se ser santo é pensar o que penso, então sou santo”. Lula se faz, assim, o princípio e o fim do mundo.

    RESPOSTA ANTIGA – Lula é um antigo depredador da teoria. Os que estão com ele e se dizem de esquerda são picaretas até como esquerdistas. Sem que esta observação implique qualquer endosso ao esquerdismo, é claro que existem os crentes autênticos, os que se acham adeptos de algumas causas por motivos que consideram bons. Podem estar equivocados, mas têm respeito por si mesmos e já abandonaram o lulismo.

    Os mais jovens ou os de memória curta talvez não se lembrem. Mas Lula já deu essa mesmíssima resposta em 1982. Indagado num debate da TV Bandeirantes pelo pedetista Roger Ferreira (já morto) sobre sua ideologia — “comunista, socialista, trabalhista?” —, o então candidato ao governo de São Paulo mandou bala: “Sou torneiro-mecânico”. Os petistas foram ao delírio na platéia; aplaudiram entusiasticamente.

    Era o primeiro passo de uma impostura que faria história, como estamos vendo. Lula certamente serve à forma que tomou a luta de certas esquerdas no mundo contemporâneo. Mas é claro que não é um esquerdista autêntico. Não quer dizer que seria melhor se o fosse, entendam bem. Mas é preciso caracterizá-lo adequadamente. No que respeita à ideologia, é um oportunista como nunca houve no país. No que diz respeito, vá lá, à economia política, conhecem a minha tese sobre ele: é um burguês do capital alheio. Integra a nova classe social oriunda do sindicalismo que tomou conta do Estado, especialmente das estatais e fundos de pensão, onde realmente está o dinheiro. No que respeita à democracia, aí, sim, toma emprestado à esquerda o arcabouço autoritário, que sonha em ultrapassar os limites institucionais do “estado burguês”.

    Esquerdista mesmo? Não, é claro. Por mais que o esquerdismo responda por boa parte do que se produziu de delinqüente em matéria de política, democracia e governança, ser um esquerdista supõe um certo ascetismo, uma certa renúncia à vida folgazã, uma dedicação um tanto monástica, em tudo avessas à indisciplina intelectual do Babalorixá.

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    Um esquerdista mesmo deveria ficar grato por este texto.
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    BOBBIO – Ah, sim, a tolice de Bobbio: trata-se daquela simplificação de que ser de esquerda, hoje, significa estar apegado a valores de justiça social e que ser de direita implica a defesa do statu quo. É tão bobo, que custa a acreditar que um pensador afinado com o liberalismo tenha optado por tal simplismo. E é fácil demonstrar os pés de barro da “teoria”: o sujeito pode, por exemplo, em nome da justiça, mandar a lei para o diabo. Estará sendo de esquerda, certo? Mas terá contribuído para o seu objetivo, que se pretendia meritório? Mais: a definição só se ocupa da questão econômica. O que é ser um esquerdista moderno no que respeita à liberdade, por exemplo?
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