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Lula assina a Lei Fleury da Telefonia. E Dantas aplaude, com mais R$ 2 bi no bolso

Vá perguntar à ratazana o que ela acha da compra da Brasil Telecom pela Oi. Daniel Dantas, transformado no bicho-papão dos teóricos da conspiração, está rindo de orelha a orelha. Levará uma bolada de R$ 2 bilhões pela parte que lhe cabe na BrT. E quem é que, na prática, permite que leve essa grana […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 18h33 - Publicado em 21 nov 2008, 05h01
Vá perguntar à ratazana o que ela acha da compra da Brasil Telecom pela Oi. Daniel Dantas, transformado no bicho-papão dos teóricos da conspiração, está rindo de orelha a orelha. Levará uma bolada de R$ 2 bilhões pela parte que lhe cabe na BrT. E quem é que, na prática, permite que leve essa grana preta? Luiz Inácio Lula da Silva. Não é mesmo curioso? O Apedeuta assinou ontem o decreto que libera a operação.

Como escrevi aqui e em O País dos Petralhas, nas democracias modernas, os negócios são feitos de acordo com a lei. Em república bananeira, as leis se fazem de acordo com os negócios. A Oi já havia comprado a BrT, mas a operação, vejam só, era ILEGAL. Agora, Lulovsky Apedeutakoba abriu caminho para sua legalização. É mesmo um homem ousado e de coragem.

A Folha informa que “a assinatura do decreto que permite a fusão BrOi pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi precedida de um jantar na terça-feira à noite em comemoração aos 60 anos da Andrade Gutierrez, proprietária da Oi. Lula compareceu após reunião com os presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES. Segundo o Planalto, o presidente foi convidado para o jantar assim como várias outras autoridades.” Jantou na terça. Assinou o decreto na quinta.

As opiniões sobre se a criação dessa gigante é boa ou má para os usuários não são consensuais. Há quem fale em ganho de escala e serviços melhores e mais baratos; há quem diga que a excessiva concentração de poder na mão de uma empresa é potencialmente lesiva ao interesse público. Confesso que, quanto a esse aspecto em particular, tendo a me alinhar com o primeiro grupo – sempre observando que os serviços de todas as operadoras deixam muitíssimo a desejar. A Internet 3G, por exemplo, sistema que utilizo nesta madrugada, longe de casa que estou, é uma porcaria. Chega a ser desrespeitoso com o usuário. Posto isso, adiante.

Ainda que considere a fusão positiva, a vida pública tem de seguir os rigores da transparência e dos ritos legais. Se Lula achava que era o caso de mudar a lei que impedia a Oi de comprar a BrT, que lançasse a questão me que a sociedade, por meio de seus representantes, fosse chamada a opinar. O que é absolutamente heterodoxo, ridículo mesmo, constrangedor, é que o negócio seja primeiro realizado, na certeza de que Sua Majestade não faltará com o favor a seus arquiduques. E um deles, Sérgio Andrade, é amigo pessoal do presidente, como todos sabem. E a Oi (antigs Telemar) é a empresa que injetou uma bolada na Gamecorp, a empresa de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha.

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E então chegamos ao jantar. Ora, é claro que nada foi decidido ali, não é? As empresas só se acertaram porque tudo já estava previamente combinado. Mas o fato de Lula jantar na terça com o empresário que será beneficiado na quinta, mostra que ele não segue mesmo aquela frase famosa sobre a mulher de César. Está acima dessas miudezas.

Assim, ainda que a nova gigante da telefonia venha a beneficiar muitos usuários, o ambiente em que se deu o negócio tem um vício de origem. Lula, como escrevi aqui desde o primeiro dia, criou a “Lei Fleury” (pesquisem a respeito) da telefonia.

E Daniel Dantas, que eles adoram odiar, está em festa. Deve pensar: “É mesmo muito bom operar numa república de bananas”.

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