Índios querem invadir área de usina de Belo Monte
Por Agnaldo Brito, na Folha: Os índios da bacia do médio Xingu preparam a ocupação do Sítio Pimental, uma ilha localizada a 40 quilômetros de Altamira (Pará) e onde serão construídas a barragem principal e a casa de força auxiliar da usina hidrelétrica de Belo Monte. Segundo a Folha apurou, a ação deve ocorrer amanhã, […]
Por Agnaldo Brito, na Folha:
Os índios da bacia do médio Xingu preparam a ocupação do Sítio Pimental, uma ilha localizada a 40 quilômetros de Altamira (Pará) e onde serão construídas a barragem principal e a casa de força auxiliar da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Segundo a Folha apurou, a ação deve ocorrer amanhã, dia do leilão em Brasília -dois consórcios estão na disputa. Hoje, 19 de abril, é o Dia do Índio. Entidades ambientalistas apoiam o ato, pois consideram essa ação uma forma de resistência pacífica ao projeto.
A decisão indígena de levar adiante esse ato desafiador contra o governo foi tomada em reunião reservada de lideranças de várias etnias em encontro na Terra Indígena Arara da Volta Grande do Xingu, na semana passada. Os “brancos” não participaram da reunião.
A articulação para a ocupação da área prevê a mobilização de ao menos 140 indígenas ligados a pelo menos duas etnias que vivem na região, entre os quais os xikrins e os caiapós, este um dos grupos indígenas que mais se opõem à barragem. Caiapós de Mato Grosso podem engrossar o movimento.
A ocupação criará um embaraço ao governo, que, no limite, poderá ser obrigado a intervir para retirá-los das áreas quando as obras tiverem início.
A Folha apurou que há ainda uma negociação a fim de atrair outras etnias para ocupar o Sítio Pimental e outras áreas da região de Volta Grande, a mais atingida com a construção das barragens e com a operação da hidrelétrica. Jurunas da Terra Indígena Paquiçamba poderão integrar a força de ocupação, embora haja divisão na tribo.
O objetivo com a invasão de uma área não considerada terra indígena é chamar a atenção da sociedade para a mudança que representará a construção de um projeto que custa ao menos R$ 19 bilhões e levará dez anos para ficar pronto. Além de publicidade internacional com a ação, a comunidade indígena quer envolver o Congresso.
Para os indígenas, os parlamentares ignoraram, até agora, o assunto. Pela Constituição, só o Congresso pode autorizar ou negar a instalação de projetos que afetem a vida dessas comunidades. Eles alegam que não foram ouvidos pelo Legislativo e exigem a participação de uma comissão bicameral.
Os indígenas consideram-se enganados por autoridades do governo, que, por sua vez, consideraram que eles foram ouvidos durante o licenciamento. Aqui





