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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

FHC diz ignorar caixa dois e elogia a Lava Jato: “Nada a temer”!

Caso de ex-presidente tucano é emblemático da grande confusão criada pelo Ministério Público

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 13 abr 2017, 07h45 - Publicado em 12 abr 2017, 21h50

Hoje é o dia em que Lula se olhou no espelho e disse: “Ah, você também está na Lava Jato, FHC!”.

E, acreditem, já ouvi isso por aí ao longo dia. Na mais incisiva das observações, afirmou um senhor: “Tá vendo? A safadeza começou antes do PT!”.

Eis o pior aspecto da Lava Jato. Já volto a esse aspecto.

Coisa certa
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez a coisa certa. Tão logo seu nome apareceu na lista da Odebrecht, veio a público para destacar que, se houve caixa dois nas suas campanhas de 1994 e 1998, tal coisa não chegou a seu conhecimento.

Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, que comandava o grupo naquele período, disse ao Ministério Público Federal que houve o pagamento de “vantagens indevidas”, de recursos não contabilizados no âmbito das campanhas” do agora ex-presidente.

O tucano defendeu as investigações e elogiou a Lava Jato: “É importante ir até o fundo das questões. O Brasil hoje precisa de transparência, e a Lava Jato está colaborando para que se coloquem as cartas na mesa. Vamos colocá-las. Eu não tenho nada a esconder, nada a temer”.

Pois é… Vocês se deram conta de algumas coisas que pesam contra Lula, caso comprovadas?

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Ele teria assinado uma Medida Provisória, em 2009, sobre isenção fiscal com o fito de beneficiar a Braskem, do grupo Odebrecht. Chegou a se noticiar que a empresa deixou de desembolsar, em razão disso, R$ 2 bilhões.

Em troca, o PT levou, segundo Marcelo, R$ 50 milhões por meio de caixa dois. O dinheiro não foi usado na campanha de 2010 — reeleição de Lula — e sobrou para a reeleição de Dilma, em 2014.

O nome disso é propina. A contrapartida é clara!

Mais: Marcelo revelou que a conta “amigo” foi feita para atender a demandas de Lula quando deixasse a Presidência. E por quê? Ora, porque o homem continuaria influente, não é?

Agora me digam: isso é comparável ao que se diz de FHC? E, no entanto, todas as coisas se misturam de modo lastimável, certo?

A rigor, e vou voltar a este ponto, esse é drama vivido por pelo menos 40 pessoas da lista.

Nos raros dias em que não tem pesadelo (suponho), Lula deve sonhar em dividir o banco dos réus com FHC.

Mas acho que não vai.

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