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Reinaldo Azevedo

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Fernando Cavendish deixa comando da Delta

Na VEJA Online: Fernando Cavendish, presidente da construtora Delta, vai se afastar do comando da empresa juntamente com o diretor executivo Carlos Pacheco. A decisão será anunciada nesta quarta-feira, em Brasília, em carta da Delta à Controladoria Geral da União (CGU), anunciando também o início de uma auditoria feita por uma empresa independente. A direção […]

Por Reinaldo Azevedo 25 abr 2012, 16h06 • Atualizado em 31 jul 2020, 09h01
  • Na VEJA Online:
    Fernando Cavendish, presidente da construtora Delta, vai se afastar do comando da empresa juntamente com o diretor executivo Carlos Pacheco. A decisão será anunciada nesta quarta-feira, em Brasília, em carta da Delta à Controladoria Geral da União (CGU), anunciando também o início de uma auditoria feita por uma empresa independente. A direção da construtora, durante a investigação, ficará a cargo do engenheiro Carlos Alberto Verdini, que está na empresa desde 2003. 

    A Delta está no centro das investigações que apuram denúncias de uma rede de corrupção encabeçada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. As suspeitas da Polícia Federal são de que a construtora alimentou doações eleitorais repassadas por Cachoeira.

    Empurrão do governo
    Cavendish conseguiu um feito raro: em dez anos, fez o faturamento de sua empresa saltar de 67 milhões de reais para 3 bilhões de reais. Conforme levantamento da ONG Contas Abertas, apenas em obras contratadas pelo governo federal, a Delta arrecadou nesse período 4 bilhões de reais. Na segunda metade da década, o empresário – que já exibia a peculiar habilidade de manter bons relacionamentos com gestores públicos, sobretudo no Rio – transformou-se nopríncipe do PAC” ao arrebatar a grande maioria dos contratos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento lançado pelo governo em 2007. Ao final de 2011, a Delta era a principal fornecedora do programa, com contratos avaliados em mais de 2 bilhões de reais.

    Risco de quebra
    A elevada dependência no faturamento da Delta da realização de obras públicas, que estão no centro do escândalo, pode deixar de ser um feito digno de comemoração para se tornar a ruína de seus negócios. Acuada pelas denúncias, a Delta já começou um movimento de abandono de grandes obras, como a sua participação nos consórcios que tocam a reforma do Maracanã, a construção da TransCarioca e do polo petroquímico de Comperj. Com 25 000 empregados diretos e 5 000 indiretos, a empresa tenta agora evitar o efeito dominó que atingirá outros projetos. Se houver uma sequência de novos cancelamentos, a empresa, conforme as palavras do próprio Cavendish em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, corre o risco de quebrar.

    Comunicado
    Em nota enviada à imprensa, a Delta confirma que Fernando Cavendish e Carlos Pacheco decidiram se afastar da empresa “como demonstração da isenção com que se pretende que sejam conduzidos os procedimentos da auditoria”.  A empresa também confirma que a direção da Delta ficará à cargo de Carlos Verdini.

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    O comunicado atribui a Cláudio Abreu, ex-diretor Delta no Centro-Oeste, o envolvimento no esquema de corrupção comandado por Carlinhos Cachoeira. “Foi determinada pela administração da companhia a realização de uma ampla auditoria nos assentamentos da empresa para averiguar todas as práticas de responsabilidade da diretoria do Centro-Oeste. O objetivo é verificar, com base nos dados imediatamente disponíveis à empresa, em que extensão essas ações foram executadas, burlando os procedimentos de controle praticados na companhia”, diz o comunicado. 

    Cláudio Abreu, afastado da Delta em março, logo após a polícia deflagrar a Operação Monte Carlo, foi preso na manhã desta quarta-feira pela preso pela Polícia Civil do Distrito Federal em Goiânia. A prisão ocorreu durante a Operação Saint Michel, um desdobramento da Operação Monte Carlo, que desmontou o esquema de jogos ilegais no país comandado por Cachoeira, preso desde fevereiro. A ação é comandada pelo MPDFT e pela Polícia Civil do Distrito Federal e foi deflagrada na madrugada desta quarta-feira.

    A Delta encerra o comunicado assegurando que continuará a cumprir os contratos “assumidos com seus fornecedores e clientes, com a habitual regularidade”. 

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