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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

ESTADO MOMESCO-POLICIALESCO

Vocês se lembram que, conforme noticiou a VEJA desta semana com exclusividade, Fernando César Mesquita, assessor do senador José Sarney (PMDB-AP), foi espionado pelos arapongas que estavam trabalhando para o delegado Protógenes Queiroz. Pois bem. Lá um belo dia, no ano passado, uma arquiteta chamada Manuela foi até a casa do assessor pra falar sobre […]

Por Reinaldo Azevedo 26 mar 2009, 21h12 • Atualizado em 31 jul 2020, 17h55
  • Vocês se lembram que, conforme noticiou a VEJA desta semana com exclusividade, Fernando César Mesquita, assessor do senador José Sarney (PMDB-AP), foi espionado pelos arapongas que estavam trabalhando para o delegado Protógenes Queiroz.

    Pois bem. Lá um belo dia, no ano passado, uma arquiteta chamada Manuela foi até a casa do assessor pra falar sobre um projeto de sua área profissional. E foi clicada por um dos homens a serviço de Protógenes. Foi parar no arquivo paralelo do delegado.

    Manuela é filha de Eliane Cantanhede, colunista da Folha, e Gilney Rampazzo, sócio da produtora GW.

    A primeira vítima dos estados policiais e dos estados momesco-policialescos, como o que se está formando no Brasil, são os inocentes. Eu não sei o que Manuela foi fazer na casa de Mesquita. Mas duvido que tenha ido praticar alguma ilegalidade, que faça seu nome ser compatível com um arquivo formado à esteira de uma investigação policial.

    Esse clima que se está incentivando no Brasil de “caça aos ricos” — sendo que “ricos” são todos aqueles que um delegado ou um juiz considera “ricos” — é a semente da destruição do estado de direito no país. Até porque o mais curioso é que, por desvio ideológico ou sei lá o quê, alguns ricos também acham que é o caso de pegar os “ricos” para dar exemplo.

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    Duvido que Protógenes não soubesse quem é Manuela. Difícil não ver na prática o acúmulo de suposta informação com suposto poder de intimidar uma jornalista. E intimidar com o quê? Com nada! É terrorismo puro e simples.

    A imprensa toda, podem ficar certos, é hoje objeto de espionagem. Esse negócio fugiu do controle. Algo me diz que é só o começo. Ficará pior quanto mais perto estivermos de outubro de 2010.

    Como vocês sabem, o delegado Protógenes afirmou que seu arquivo secreto, denunciado por VEJA, não passava de invenção, né? Como também é “invenção” o grampo da conversa do ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres.

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