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Empresas atingidas pela Lava Jato já têm R$ 15 bilhões de dívidas na Justiça

Na VEJA.com: O endividamento e a dificuldade financeira das empresas envolvidas na Operação Lava Jato ou listadas pela Petrobras em formação de cartel começam a aparecer com mais clareza nos processos de recuperação judicial que estão chegando à Justiça. Pelo menos cinco empresas já somam 15 bilhões de reais em reestruturação de dívidas. Esse valor […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h41 - Publicado em 6 abr 2015, 16h11

Na VEJA.com:
O endividamento e a dificuldade financeira das empresas envolvidas na Operação Lava Jato ou listadas pela Petrobras em formação de cartel começam a aparecer com mais clareza nos processos de recuperação judicial que estão chegando à Justiça. Pelo menos cinco empresas já somam 15 bilhões de reais em reestruturação de dívidas. Esse valor pode praticamente dobrar com a expectativa de que, em breve, a Schahin Óleo e Gás, com dívida de 4,5 bilhões de dólares (14 bilhões de reais, pelo câmbio de quinta-feira, dia 2), também peça recuperação judicial.

Entre os advogados de credores ou devedores, de dez diferentes escritórios de advocacia ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, é praticamente unânime a percepção de que a lista bilionária não vai parar de aumentar tão cedo. Os processos, dizem, tendem a se alastrar para outros grupos, como estaleiros e até redes de postos de gasolina. Esse cenário pessimista se deve ao fato de que o mercado de crédito se fechou ou encareceu abruptamente para as empresas ligadas às investigações. Na medida em que as dívidas dessas companhias estão vencendo, o desequilíbrio do fluxo de caixa vai ficando mais evidente e a opção da recuperação judicial, mais atraente.

Até agora, entre as empresas de alguma forma envolvidas na Lava Jato, já pediram recuperação judicial as construtoras OAS, com dívida de 8 bilhões de reais, Galvão Engenharia (1,6 bilhão de reais) e Alumini Engenharia (1 bilhão de reais) e as fornecedoras de equipamentos Iesa (3,5 bilhões de reais), do grupo Inepar, e Jaraguá Equipamentos (700 milhões de reais). A expectativa é de que o grupo Schahin também decida, em breve, sobre um pedido de recuperação. A construtora e a holding estão deficitárias. A empresa de óleo e gás tem um fluxo grande de receitas no longo prazo, mas para este ano o descasamento entre receita e dívida está em 1 bilhão de dólares.

O último pedido foi registrado pela Justiça paulista na semana passada pelo grupo OAS, e já figura entre as maiores recuperações do país. A via judicial deve facilitar a venda de ativos do grupo, pois tira risco de sucessão de dívidas para potenciais compradores. Também na recuperação da Galvão a venda de ativos pode ser uma saída. A empresa tem concessões de rodovias e saneamento que interessam a investidores. Para Ivo Waisberg, do CWTP Sociedade de Advogados, esta é uma oportunidade para compradores de ativos, que podem comprar sem risco de sucessão de dívidas.

Dinheiro novo
No atual cenário de escassez financeira, os grupos que não tiverem ativos para vender podem acabar em falência. Gláucia Coelho, do escritório Machado Meyer, diz que qualquer processo de recuperação requer obrigatoriamente dinheiro novo, seja por novos financiamentos ou pela venda de ativos.

Os novos financiamentos ficam mais limitados com o cenário de escassez de crédito. Mas, além disso, os bancos fogem desse tipo de crédito, pois a cada real emprestado é preciso provisionar um real no balanço, lembra o sócio da Deloitte, que atua como administradora judicial em cinquenta processos.

O advogado Thomas Felsberg diz que há uma dificuldade extra no caso de recuperação de empresas envolvidas na Lava Jato: as multas que podem ser aplicadas em função das denúncias de corrupção ou cartel. Dependendo do valor, a recuperação fica completamente inviabilizada. Felsberg está à frente da recuperação da Iesa. Boa parte da dívida de 3,5 bilhões de reais da empresa já foi renegociada com a entrada da companhia no programa de refinanciamento da Receita Federal. O Grupo Inepar, controlador da Iesa, tem no BNDESPar seu maior credor, com passivo de 741 milhões de reais, segundo o último relatório do administrador judicial.

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