Deus, história, coragem e covardia
Enquanto redijo esta nota, há 84 comentários publicados no post em que afirmo que “somos todos cristãos”. Chegaram mais de 200. Mas corto os bate-bocas, os que tentam usar a área como chat — infelizmente, só Dona Reinalda me ajuda, e não há tempo para moderar debates extensos — e, claro, os que pretendem aproveitar […]
Não preciso dizer que faço o meu trabalho com extremo prazer. Eu gosto disso. Eu me divirto. Mas, às vezes, é também irritante. É evidente que aquele meu texto é simpático ao cristianismo — quer dizer que ele só seria “isento” se o esculhambasse? Mas também é evidente que não se trata de um texto religioso, vale dizer, de defesa de uma fé. Observem que a dogmática ficou de lado. Não toquei nem remotamente no assunto.
A minha conclusão — somos todos cristãos, até os ateus — se dá com a exposição de argumentos de natureza histórica, cultural. Nem mesmo tratei a Igreja Católica como expressão da vontade de Deus, isso, sim, matéria de crença de um católico. Dizem alguns que compreenderam ao menos isso: “Ah, mas então somos também indígenas, muçulmanos, visigodos…” Não há dúvida que sempre haverá um pouco do queixo da humanidade desenhado no nosso queixo. Mas será que há tanto de indigenismo em nossa cultura como há de cristianismo? Acho uma tese difícil de sustentar. Até porque o que nos chegou dos índios e dos negros já estava filtrado pela presença do catolicismo no Brasil logo nas primeiras décadas da colonização, como evidencia, com fartura de dados, Gilberto Freyre em Casa Grande & Senzala.
Mas não adianta. Ainda há quem considere suprema prova de ousadia defender o fim da Igreja Católica no Brasil. Eu admiro a coragem. Pregar a morte de Deus no Ocidente é covardia. Corajoso seria pregar a morte de Alá em Teerã.





