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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Balada boa e balada má

Aí o leitor me pergunta: Caro Reinaldo, Se o pai em questão plantar a sua própria maconha, pagar os seus impostos, alertar o filho para os males que o consumo dessa droga causam, se coubesse a você a decisão, você permitiria o consumo desse pai?AbraçoA situação é de tal sorte improvável, que fica impossível arbitrar. […]

Por Reinaldo Azevedo 4 jul 2007, 23h39 • Atualizado em 31 jul 2020, 22h20
  • Aí o leitor me pergunta:

    Caro Reinaldo,

    Se o pai em questão plantar a sua própria maconha, pagar os seus impostos, alertar o filho para os males que o consumo dessa droga causam, se coubesse a você a decisão, você permitiria o consumo desse pai?Abraço

    A situação é de tal sorte improvável, que fica impossível arbitrar. Nessas circunstâncias, não cabe “decisão”, mas apenas recomendação. Eu não recomendo a pai nenhum que consuma, na presença dos filhos, drogas que, mesmo em quantidades pequenas, são psicoativas. Aliás, nem perto nem longe.
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    Não caio nessa conversa de que fumar um “baseado” é o mesmo que tomar uma taça de vinho ou uma dose de uísque. Não é. Trata-se de uma mentira; pura empulhação de gente que é simpática ao consumo de drogas ilícitas. E se for uma garrafa de vinho de uma vez? Bem, não me peçam para arbitrar se é melhor ser maconheiro ou alcoólatra. Acho as duas coisas ruins. É evidente que existe gente que consome maconha eventualmente e está socialmente integrado. Mas não é menos evidente que, regra geral, trata-se de uma espécie de cultura marginal: as pessoas acabam se identificando por conta desse hábito ou vício, que substitui quaisquer outras afinidades.

    O lobby pró-droga, especialmente entre artistas e agregados, é grande. Chegou também à academia e ao jornalismo. E vem acompanhado de uma forte patrulha sobre a linguagem. Se você chamar um consumidor contumaz de maconha de “maconheiro”, ele se ofende; dizer que um aspirador de pó ambulante é um “cocainômano” é visto como preconceito.

    Trata-se de um comportamento pautado por uma ambigüidade covarde, oportunista. De um lado, essa gente luta para descriminar as drogas, na suposição de que isso diminuiria o crime e certos de que cada um, afinal, faz o que bem entender de sua vida; na outra, exige respeito com o que seria, não uma opção, mas uma dependência química. Escolham: são altivos senhores das suas escolhas ou são são vítimas das circunstâncias? Respondo por eles: são donos do seu nariz (literalmente) na hora da balada boa e querem jogar o custo do tratamento nas nossas costas na hora da balada má. Quem paga a conta? Eles? Não! Nós — seja onerando o sistema público de saúde, seja financiando uma pesquisa para a turma da Descolândia.

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