Aguinaldo Silva, este blog e Auden, o poeta
Abaixo, reproduzo mais um post do Blog de Aguinaldo Silva, autor da novela Duas Caras. Ele está emocionado com a repercussão que teve seu post anterior, aquele em que diz estar sofrendo ameaças. E me chama de um de seus ídolos, um exagero da generosidade. Tenho uma amiga que acompanha televisão profissionalmente. Ela me manda […]
Tenho uma amiga que acompanha televisão profissionalmente. Ela me manda um CD com trechos da novela. Vi alguns trechos. A personagem mais interessante é Gioconda, interpretada por Marília Pera. É a mais educada, refinada e inteligente entre os seus. Tem até uma certa idiotia da velha generosidade das classes superiores. Mas já está morta, daí que passe boa parte do tempo sob o efeito de remédios, dormindo. Seu mundo, o do decoro, acabou, suplantado pelo arranca-rabo de classes.
Ao vê-la, lembrei-me de uma estrofe de Auden, do poema “As I Walked out one Evening” (procurem):
“The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.”
“A geleira habita o armário,
O deserto suspira na cama,
E a fenda na xícara de chá abre
Uma vereda para a terra dos mortos.”
Sugiro a Aguinaldo, aliás, esta cena, uma citação para quem sabe — mais uma das esquisitices de Gioconda para quem não sabe. E funciona. Ela vai tomar um chá, a xícara está trincada. Ela tem uma de suas crises e toma as suas pílulas, completamente zonza num mundo que já não é o seu. “Desmetaforizam-se” os versos de Auden, recuperado do reino dos mortos.
Novela é entretenimento para o povão, todo mundo sabe disso. E Aguinaldo também. Mas pode ajudar a educar os sentidos. Eu insisto: haver um produto visto por milhões de pessoas e que não apele ao falso moralismo bocó e politicamente correto que tem caracterizado esse tipo de produção é um feito. Que ele continue corajoso.
Segue o post de Aguinaldo Silva:
*
EU AINDA ESTOU AQUI, SHIRLEI!
Meu coração anda fraco e o meu sangue quente. E, como todo médico aprendeu quando não estava fazendo greve na universidade, uma coisa não combina com a outra. Por conta da mistura, sou dado atualmente a explosões dignas do conturbado nascimento de uma estrela; por isso me obrigo a contar até 1217 antes de me deixar levar pela raiva e perder a cabeça. Sou temperamental, portanto: e a idade só acrescentou mais algumas cracas a esse meu defeito
Mas hoje eu estou, como se diz piano; Ainda mais depois de passar o dia a ouvir Tony Bennet cantando Indian Summer, acompanhado apenas pelo próprio (o piano em pessoa), enquanto escrevia mais um capítulo de DUAS CARAS: o de número 67, que vai ao ar na penúltima semana de dezembro. Pois o autor pode ter qualquer piti, piripaque ou siricotico. Só não pode é parar de escrever a novela.
Ah! Como acontece sempre que me dirijo a vocês: mais uma vez divago. O que eu queria dizer é que, depois de ler tudo o que foi escrito desde ontem a meu respeito neste e em outros blogs (incluindo o de Reinaldo Azevedo, um dos meus ídolos), posso afirmar que há muitos anos não me sentia tão emocionado. Cheguei até a chorar, e lhes garanto: não foram lágrimas como aquelas que um certo cidadão costuma derramar lá em Brasília – as de crocodilo.
Se eu pudesse reproduziria aqui todos os textos e daria o nome dos seus autores. Mas pra isso precisaria de um bloglog inteiro. Por isso vou destacar apenas dois, ou melhor, uma frase de cada um deles dentre os que mais me tocaram. A primeira foi de Bernardo César, que sugeriu um santo remédio pra fazer parar as ameaças que venho recebendo: “muda tudo e bota a mulherada pra aparecer” (nua na novela). A segunda foi de Áurea, fiel blogueira e autora de grandes tiradas, que escreveu, citando alguém ou alguma coisa: “se os filhos da p# voassem não veríamos o sol” – grande Áurea: combateremos à sombra!
É claro que posso descobrir quem anda me telefonando só pra dizer bobagem e fazer hora… Ou, então, como insistem em dizer meus amigos mais sensatos, falando sério. Os telefonemas dados através de orelhões já foram rastreados: vieram todos de uma área que vai do Largo da Taquara ao Projac – pode? Trata-se de um justiceiro suburbano!
Quanto aos de celular, desconfio que alguém já está fazendo o rastreamento por mim – e sem minha autorização -, a julgar pelos estranhos gorgolejos que o meu blackberry vem soltando, desde hoje à tarde, a cada ligação que recebo, e que sempre cai a cada cinco minutos. Daniel de Castro e Ivy Faria, dois jornalistas que me ligaram, foram vítimas disso.
Ou seria esta do celular gorgolejante mais uma de minhas paranóias? Houve quem pensasse pior ainda – que escrevi aquele texto só pra promover DUAS CARAS, quando eu poderia promovê-la muito mais dizendo aos paulistanos pra não viajar no feriadão, pois Flávia Alessandra vai aparecer nua justamente na próxima sexta-feira!
De qualquer modo, como cantava Shirley MacLaine naquele filme sobre Hollywood, psicanalistas e álcool: “eu ainda estou aqui, droga!” E lhes prometo: estarei nos próximos cem anos. Mas antes disso os caprichosos ventos da História já terão soprado em outras direções, e então, como dizem os jovens internautas – hehehehehehehe! – estaremos, ainda que mais cacarecados, a rir disso tudo.
E, de qualquer modo, bye bye – viajo ainda esta semana pra Lisboa, e de lá, depois de pedir asilo na minha casa no Castelo de São Jorge, mando novos e lusitanos textos.
P.S.: se a descompostura que Zapatero aplicou em Chávez fosse um filme, sabem que nome eu lhe daria? “Querida, encolhi as crianças!” O di-tador venezuelano regrediu tanto enquanto ouvia o Homem Branco que, no final, parecia estar usando tanga e um cocar de penas e cantando: uga, uga, uga!
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