ÁGUA MORRO ABAIXO, FOGO MORRO ACIMA E…
(leia primeiro o post abaixo)Hoje eu estou cheio de historinhas do mato, que é onde nasci — literalmente (!), mas fica pra outra hora — e de onde vim. E a gente diz por lá que água morro abaixo e fogo morro acima, quando começam, ninguém segura. Há um terceiro termo no ditado, mas não […]
Hoje eu estou cheio de historinhas do mato, que é onde nasci — literalmente (!), mas fica pra outra hora — e de onde vim. E a gente diz por lá que água morro abaixo e fogo morro acima, quando começam, ninguém segura. Há um terceiro termo no ditado, mas não é nada elegante. Então eu o substituo, e a coisa fica assim: “Água morro abaixo, fogo morro acima e debate eleitoral, quando começam, ninguém segura”.
O governador José Serra está certo no mérito, vamos dizer, técnico do que diz? Está. Mas quem disse que a política obedece apenas a primados racionais? Infelizmente, não. Seu esforço, parece, busca represar o mar. Até porque ele precisaria combinar com o adversário — ou adversária, não é? Lula e Dilma Rousseff estão em permanente campanha. E isso gera demanda no noticiário. Aécio Neves, que pretende ser seu opositor interno, está declaradamente em campanha, e isso pauta a imprensa.
Serra e Aécio, a esta hora, já estão em Recife. E a razão do encontro é… 2010! O partido busca aparentar uma unidade que, por enquanto, não tem. Por mais que o governador de São Paulo pretenda, vamos dizer, submeter o tema a uma tratamento criogênico, seus adversários dão um jeito de esquentá-lo.
Reitero: ele tem razão quando afirma que uma disputa acirrada, a esta altura, desviaria o foco do governo e da oposição daquilo que interessa — a crise — para o que ainda está um tanto longe: as eleições de 2010. Líder nas pesquisas, ele é, por enquanto, a principal personagem da futura disputa. Mas isso não quer dizer que o espetáculo não comece ainda que ele se negue a atuar. Aliás, diria que essa forma de agir também pode ser considerada uma atuação. Ao evitar o assunto, expõe-se menos a ataques. Até quando? Vamos ver.
E o partido?O ideal, para um candidato (ou candidatos) de oposição, é que o partido — ou partidos —se encarregue(m), agora, do embate político mais duro. Mas o PSDB, em especial, é lento e ainda não encontrou seu eixo. Evita o confronto. O DEM cumpre com mais clareza esse papel. Há dias, em propaganda na TV, opôs a fala de Lula sobre a “marolinha” ao recrudescimento óbvio da crise, cujos efeitos começam a se fazer sentir também no país — especialmente na classe média. Do povão, os efeitos mais negativos ainda estão relativamente longe. Quem está empregado verá o poder de compra, na prática, crescer um pouco com a queda da inflação. O poder de compra do salário mínimo está no topo. Adiante.
O PSDB, parece-me, reage com lentidão. Querem um exemplo? Uma sentença judicial acaba de absolver todo o alto escalão do governo FHC que fez a privatização da Telebras. Mais de dez anos depois. Sabe-se o cavalo de batalha ideológico que essa questão assumiu no país. “Ah, isso é passado!” Não é, não. É preciso que fique claro que aquele governo fez a coisa certa. É preciso deixar claro o bem que se fez ao Brasil. E notem: não estou inferindo que isso se traduziria em votos. Estou destacando que o partido parece ter pouco apetite para o debate mesmo diante de uma vitória óbvia.
Em suma: é compreensível que Serra e Aécio, a despeito das diferenças entre ambos, se preservem do embate mais direito com o governo federal. Incompreensível é que o partido também se mostre um tanto ausente do debate, pouco importa se o objeto de confronto são suas qualidades ou os defeitos do adversário.





