A mais antiga profissão do mundo
O anão tá saltitando nas tamancas, é? Quer que eu fale o nome dele? Não falo. Não por enquanto. Vamos ver. Coisa muito feia é ser funcionário de um jornal, estar cobrindo uma pauta a serviço de quem lhe paga regularmente o salário, sob contrato, e ser flagrado costurando pra fora, pondo a serviço de […]
Coisa muito feia é ser funcionário de um jornal, estar cobrindo uma pauta a serviço de quem lhe paga regularmente o salário, sob contrato, e ser flagrado costurando pra fora, pondo a serviço de outro patrão — sabem como é?, ganhar uns trocos por fora — a infra-estrutura e as condições objetivas que possibilitaram ao meliante fazer o seu trabalho. Essa gente adora ficar de joelhos. Adora tocar uma corneta. Acaba levando a demissão na testa.
É claro que isso define caráter. É claro que isso define moral. É claro que eu não tenho nada a ver com essa canalha e fico feliz que ela me deteste. Mas que fique claro: no caso desse vagabundinho, foi ele que começou. Eu nem sabia que a criatura existia.
Falei da estatura do bicho apenas porque é uma boa representação de seu caráter. Tenho amigos baixinhos — gente de primeira. Quanto à demissão, é óbvio que sei de gente boa que já foi dispensada. Apenas relatei uma circunstância. É impressionante a quantidade de cretinos demitidos de seus empregos por razões éticas e que decidem me eleger como inimigo.
Eles dizem querer mudar “o sistema”. Eu não quero.
De tal sorte eles querem mudar o sistema, que sempre optam por ter um patrão oficial e um patrão paralelo. Eu, reitero, quando sou funcionário, sou homem de um patrão só, entendem? Ter mais de um corresponde a exercer uma outra e bem mais antiga profissão.
Todos os que, hoje, têm a pretensão tola de ser meus inimigos estão nessa condição. Não recebem salário, ganham por hora e por serviços prestados. E dão beijo na boca na esperança de ganhar uma gorjeta.







