A DIFERENÇA ENTRE JORNALISMO E DEDURAGEM
E agora? O jornalismo, especialmente o de Brasília, divide-se, hoje em dia, em dois grupos: os que apuram e os que estão empenhados em dedurar as fontes dos que apuram. Além da sabujice velha de guerra, do hábito do nariz marrom, há outra coisa: a fabula da raposa e das uvas verdes. Aconteceu quando Renata […]
E agora?
O jornalismo, especialmente o de Brasília, divide-se, hoje em dia, em dois grupos: os que apuram e os que estão empenhados em dedurar as fontes dos que apuram. Além da sabujice velha de guerra, do hábito do nariz marrom, há outra coisa: a fabula da raposa e das uvas verdes. Aconteceu quando Renata Lo Prete entrevistou Roberto Jefferson, e o mensalão veio à luz:
“— Ah, foi só uma entrevista!”
“— Ah, ali não tem apuração!”
“— Ah, quase que ele fala comigo!”
“— Ah, precisa ver se é verdade!”
Recuperem aqueles dias se tiverem um tempinho. O que apareceu de mané para tentar desqualificar o trabalho sério de Renata foi uma enormidade. O mesmo aconteceu com o furo dado por Alexandre Oltramari, da VEJA, na semana retrasada.
A Sucursal de Brasília, da Folha, decidiu fazer jornalismo e avançou. Alguns babacas decidiram PROVAR para as suas chefias que não era nada daquilo. E então passaram a investir na deduragem das supostas fontes de seus colegas, para felicidade inicial do governo.
Adiantou? Nada! Só se submeteram ao ridículo. Quer dizer: adiantou! Deu pra ver, sob pressão, quem é quem e quem faz o quê. Se bem se lembram, quando VEJA publicou a primeira matéria sobre as lambanças de Renan Calheiros, também foi alvo de críticas.
Brasília, e já trabalhei lá, concentra o melhor e o pior jornalismos do Brasil. Há quem apure. E o Brasil agradece. Há quem viva apenas de cumprir as expectativas de suas fontes e de reproduzir o que o poderoso da hora gosta de ver escrito.





