A CNN EM HONDURAS E A MULHER DE LÊNIN
Telespectadores brasileiros e, sobretudo, hondurenhos reclamam da cobertura que a CNN faz da crise resultante da deposição de Manuel Zelaya, em Honduras. É… Nas manifestações de apoio ao governo provisório, a CNN é chamada, com justeza, já disse, de Chávez News Network. Se bem que,convenha-se, chega a ser injusto que se reclame som da CNN. […]
Telespectadores brasileiros e, sobretudo, hondurenhos reclamam da cobertura que a CNN faz da crise resultante da deposição de Manuel Zelaya, em Honduras. É… Nas manifestações de apoio ao governo provisório, a CNN é chamada, com justeza, já disse, de Chávez News Network. Se bem que,convenha-se, chega a ser injusto que se reclame som da CNN. A idiotia segundo a qual, entre um civil e um militar, seremos sempre a favor de um civil contamina a imprensa do mundo inteiro – e há, é evidente, a questão ideológica. No caso da CNN em Espanhol, que é o que interessa agora, as coisas se complicam um pouco.
Quem coordena a cobertura da crise para a emissora é a chefona da CNN no México. Seu nome: Krupskaia Alis… Xii, Marquimmm!!! Krupskaia, é? Nada menos que Kruspskaia? Nome é destino? Depende. Se ele for um tanto exótico e você se conforma com ele, pode ser, sim. O leitor menos afeito a essas coisas pode pensar: “Pô, uma russa cuida da CNN no México e responde pela cobertura da América Central, Caribe etc!? RUSSA? Krupskaia, queridos, é uma legítima colombiana de Cali.
O nome lhe foi dado pelo pai, um esquerdista convicto. É uma homenagem, se não sabem, a Nadejda Konstantinovna Krupskaia, mulher do camarada Lênin – sim, o facinoroso. E que se faça justiça à original: “revolucionária” legítima, com as mesmas convicções daquele que viera a ser seu marido. A Krupskaia da CNN certamente gostou do nome, achou bom. E aí virou destino.
Krupskaia gosta da notícia. Até se casou com ela – no caso, com um sandinista, quando morou na Nicarágua. Se está casada ainda, isso não sei. Aí dirá o apressadinho: “Que importância tem o nome, Reinaldo?” Os mais afinados com o drama logo evocariam Julieta: “A flor a que chamamos rosa, com outro nome, teria igual perfume. Assim, Romeu, se não tivesses o nome de Romeu Montecchio, conservaria a mesma perfeição (…) Oh, meu querido Romeu! Risca teu nome e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira!” Julieta era mesmo uma doidinha, não? Deu no que deu… Mas volto.
O nome Krupskaia não teria a menor importância, claro, se a cobertura da CNN não fosse o que é: vergonhosamente tendenciosa. Tem-se a impressão de que, ao arrepio da Constituição, um grupo de militares celerados depôs um presidente democrático. Creio que o ridículo não escapa nem aos fãs da emissora.







