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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A BURRICE COMO UM IMPERATIVO CATEGÓRICO

Chamei de “lixo” o programa de uma disciplina de uma faculdade de direito. Aí um leitor pergunta por que ser tão duro com adversários ideológicos. “Adversários ideológicos”? Não mesmo! Quem põe “machismo, racismo e capitalismo” na condição de variantes do “sistema de exploração-dominação” não é meu adversário ideológico: é adversário do Homo sapiens sapiens. Isso […]

Por Reinaldo Azevedo 24 jul 2008, 07h35 • Atualizado em 31 jul 2020, 19h12
  • Chamei de “lixo” o programa de uma disciplina de uma faculdade de direito. Aí um leitor pergunta por que ser tão duro com adversários ideológicos. “Adversários ideológicos”? Não mesmo! Quem põe “machismo, racismo e capitalismo” na condição de variantes do “sistema de exploração-dominação” não é meu adversário ideológico: é adversário do Homo sapiens sapiens. Isso é bem menos do que ideologia: é só picaretagem intelectual.

    Já escrevi alguns textos a respeito. O marxismo pode ser — e é — uma formidável coleção de erros, de equívocos e de delírios antecipatórios que não se cumpriram sobre os destinos da humanidade, mas não é literatura política das mais fáceis: requer algumas precondições para ser entendido, ainda que nos arrabaldes da baixa filosofia. Não se é um marxista convicto sem, ao menos, ser um idiota letrado, dedicado.

    Esses “inimigos” do capitalismo leram Marx por acaso? A resposta, clara e insofismável, é NÃO!!! Quando muito, pararam na glossolalia de epígonos menores, todos eles caudatários do “marxismo cultural”, que é para onde migrou o pensamento contestador com a falência do comunismo. Vejam lá o tal programa ministrado na faculdade: é uma salada russa. Misturar Lenardo Boff e Frei Betto com Nietzsche é coisa de quem certamente entende muito de Boff e Betto (meu Deus!!!), mas nada do bigodudo metade gênio e metade idiota. Juntar isso tudo com Gilles Deleuze já pede altas doses de Haldol. A obra-símbolo deste senhor, em parceira com outro inventor de complicadas irrelevâncias, Felix Gattari, tem o título de O Anti-Édipo, com tradução em português, e o sugestivo subtítulo de Capitalismo e Esquizofrenia. De capitalismo, eles não entendiam nada. De esquizofrenia, bem… Digamos que ambos precisassem de um olhar externo, neutro, se é que vocês me entendem…

    Sim, meu caro leitor, LIXO, LIXO, MIL VEZES LIXO!!! Uma coisa é organizar um curso para demonstrar que o direito, com efeito, é social e historicamente construído, daí que sociedades distintas, mesmo comungando do regime democrático, por exemplo, criem legislações particulares, embora partilhem um núcleo comum de valores. Evidenciar que a legalidade é atravessada por interesses materiais deste e daquele grupos faz parte das reflexões obrigatórias das ciências humanas.

    Mas o que se vê naquele roteiro é outra coisa: ali vai uma seqüência, amalucada e incompetente, visando à demonização do tal “sistema capitalista”, com vistas à construção — vejam que pretensão!!! — de um novo “patamar de civilização”. Com Frei Betto? Com o amigo do ditador Fidel Castro, o dirigente latino-americano que mais matou adversários por 100 mil habitantes, superando de longe o troglodita Pinochet e os carniceiros da ditadura argentina? Com Leonardo Boff, que hoje é contestado até pelo próprio irmão, Clodóvis, que reconhece que a Teologia da Libertação substituiu Cristo por uma versão rasteira da luta de classes?

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    “Ah, Reinaldo, você acha, então, que se vai construir o comunismo a partir das faculdades de direito?” Ah, por quem me tomam? Não, eu não acho. Penso que esses professores de meia-tigela estão é tomando o tempo do estudantes, que poderiam se dedicar à leitura de obras que realmente são de formação e de referência. Pior: em alguns casos, os pobres alunos também largam na tesouraria seu suado dinheirinho. E depois acabam tomando pau nos exames da OAB.

    Há um centro conspirador, uma espécie de cérebro, de onde emana tanta estupidez? Não exatamente. Existe, isto sim, a conspiração involuntária dos idiotas, que caíram presas das “verdades do partido” e se tornaram seus propagandistas, ainda que nem tenham consciência disso. Essa gente fez da burrice um imperativo categórico.

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