“Tire a sua pré-história do caminho, que eu quero passar com a dor da civilização…”
Que lindo! Vejo no Globo Repórter comunidades ribeirinhas que vivem felizes sem energia elétrica. As usinas hidrelétricas vão acabar com toda essa poesia!!! O programa insiste em falar numa tal “Grande Inundação”, como se viesse pela frente um dilúvio bíblico. Apela-se a uma linguagem de sotaque mitológico. Somando-se os alagamentos de todas as usinas previstas, […]
Que lindo! Vejo no Globo Repórter comunidades ribeirinhas que vivem felizes sem energia elétrica. As usinas hidrelétricas vão acabar com toda essa poesia!!! O programa insiste em falar numa tal “Grande Inundação”, como se viesse pela frente um dilúvio bíblico. Apela-se a uma linguagem de sotaque mitológico. Somando-se os alagamentos de todas as usinas previstas, a área não deve passar muito de 1% de toda a Floresta Amazônica. A de Belo Monte, já vimos, corresponderá a 0,019%…
Agora outra indagação: “Quanto tempo a natureza levou para formar uma floresta assim?”
Não sei, meu bom homem! Mas deve ter sido tempo pra chuchu!
Mas eu pergunto: e pra descobrir a vacina contra a paralisia infantil, então? Levou um tempão! E a do sarampo?
O programa passa a impressão até agora, e não sei se isso será corrigido, de que as espécies mostradas serão dizimadas caso se façam as usinas. Parece que eles vivem exclusivamente nas áreas que serão alagadas.
Pelo critério abraçado, é inescapável concluir, a nossa civilização é um grande erro. Afinal, fez-se contra aquele “perfeito equilíbrio”.
Antes do intervalo, o apresentador anuncia: “No caminho do progresso, um animal pré-histórico!” É mesmo, é? Bem no caminho do progresso? Sem apelo nem conciliação? Se fosse mesmo assim, só restaria cantar: “Tire sua pré-história do caminho, que eu quero passar com a dor da civilização”…
Assim não dá!