Os dólares de Mauro Cid
Auxiliar de Bolsonaro pediu ao Itamaraty levantamento de diárias pagas em espécie na moeda americana por viagens com então presidente
Quando ainda era o chefe da Ajudância de Ordens da Presidência, Mauro Cid pediu ao Itamaraty um levantamento de todas as diárias em dólar que recebera do início do governo Bolsonaro, em 2019, até julho de 2022 por viagens ao exterior em que havia acompanhado o mandatário. Especificamente, queria saber o valor pago em espécie.
Quem fez o pedido chegar ao Ministério das Relações Exteriores foi Osmar Crivelatti, que era coordenador administrativo do departamento de Cid e, na semana passada, juntou-se a ele como um dos investigados pela Polícia Federal sob suspeita de participar de um esquema de venda ilegal de bens preciosos da Presidência no exterior.
Em 19 de julho de 2022, quatro dias depois de Crivelatti fazer o pedido por e-mail, uma funcionária do Itamaraty responde com uma tabela e todas as ordens bancárias de pagamentos de diárias internacionais a Mauro Cid. A correspondência está no acervo enviado pela Presidência à CPMI do 8 de Janeiro.
O auxiliar de Bolsonaro recebeu 19.070,79 dólares em diárias até a data do pedido, dos quais 6.477,00 dólares em espécie e 12.593,79 dólares depositados em conta.
Convertidos para moeda nacional, os pagamentos somam 87.616,56 reais, segundo a tabela do Itamaraty.
Constam no relatório viagens a Davos, na Suíça; Tel Aviv, em Israel; Santiago, no Chile; Washington, Dallas, Nova York, Miami, Georgetown e Los Angeles, nos Estados Unidos; Osaka, no Japão; um giro por vários países no Oriente Médio; Nova Déli, na Índia; Quito, no Equador; Roma, na Itália; e Moscou, na Rússia, e Budapeste, na Hungria.





