A versão do deputado gaúcho sobre propinas em emendas alvo da PF
Afonso Motta confirma que fez a indicação dos repasses para hospital no Rio Grande do Sul, mas nega qualquer relação com intermediários remunerados

O deputado Afonso Motta (PDT-RS) confirmou ter indicado para o Hospital Ana Nery, em Santa Cruz do Sul, as emendas parlamentares que foram alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, mas disse que nunca teve nenhuma relação com intermediários que cobrassem remuneração dos destinatários da verba.
“Sempre com muita consideração e sabendo da necessidade desses hospitais, fizemos a indicação dessas emendas. Não tinha conhecimento da existência (de um contrato estipulando comissão de 6% do dinheiro para os intermediários)”, disse.
O gaúcho deu as declarações à imprensa depois de uma conversa reservada com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Afonso Motta estava no Rio Grande do Sul quando soube da operação e embarcou imediatamente para Brasília.
Seu secretário parlamentar, Lino Furtado, é investigado por suspeita de participar no esquema. O apartamento funcional de Afonso Motta foi alvo de busca e apreensão porque, como disse o próprio deputado, Furtado mora no imóvel com ele.
Agentes da PF apreenderam somente o celular do secretário parlamentar, afirmou o deputado gaúcho. “Provavelmente vou demiti-lo”, declarou Afonso Motta. Ele espera que Furtado deixe o apartamento funcional até esta sexta-feira.
Segundo o autor das emendas investigadas pela PF, Hugo Motta prestou “solidariedade” e manifestou estar “junto” com o colega, esperando que as investigações sejam concluídas e tenham “bom resultado”.
Acompanharam a conversa o advogado-geral da Câmara, Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva, e o diretor do Departamento de Polícia Legislativa (Depol), Paul Pierre Deeter.
“Estou preocupado e sensibilizado pelo fato de que é inadmissível uma circunstância como essa, que, de certa forma, atinge meu mandato”, afirmou Afonso Motta.
“Muito mais que uma questão pessoal é o mandato, que fica limitado, recebe censura, crítica, e isso é muito importante para quem está aqui por princípio, por idealismo, por acreditar no processo do Parlamento”, acrescentou.