Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Por Trás dos Números

Por Renato Meirelles
Renato Meirelles é pai da Helena, acredita que a Terra é redonda, está à frente do Instituto Locomotiva e, neste espaço, interpreta os números muito além da planilha Excel
Continua após publicidade

119 milhões de pessoas comprariam menos com fim do parcelamento sem juros

Pesquisa mostra que o parcelamento sem juros faz parte da cultura de compras da população

Por Renato Meirelles Atualizado em 13 Maio 2024, 20h52 - Publicado em 28 set 2023, 18h31

Há pouco mais de duas décadas, esse colunista estuda a vida financeira dos brasileiros e o papel que o parcelamento sem juros tem na economia. Graças a este modelo de parcelamento (este mesmo modelo que alguns economistas de ar-condicionado chamam de “jabuticaba brasileira”), milhões de pais e mães de família conseguiram comprar o primeiro computador para seus filhos estudarem, máquinas para lavar a roupa da família ou uma geladeira nova.

No palco da vida cotidiana dos brasileiros, o parcelamento sem juros é uma dança que todos nós sabemos dançar. Assim como o café da manhã com pão fresquinho e o “bom dia” aos vizinhos, essa prática financeira faz parte do nosso jeito de viver. Mas, além de ser uma forma de pagamento, o parcelamento sem juros também tem uma história a contar: a história da democratização do consumo e da batalha contra o endividamento.

Imagine você, caro leitor, indo ao mercado fazer suas compras semanais. O carrinho vai ficando cheio, os produtos se acumulam e, no caixa, a grande questão surge: pagar tudo de uma vez ou parcelar sem juros? É como se essa dança do parcelamento fosse uma melodia que embala nosso orçamento, permitindo muitas vezes que a família seja alimentada até o final do mês.

Recentemente, tive a oportunidade de conduzir pelo Instituto Locomotiva uma pesquisa que mostra, estatisticamente, que a grande maioria dos brasileiros (78%) diminuiriam o consumo se o parcelamento deixasse de existir. É como se o ato de dividir o valor da compra em várias parcelas fosse a nossa maneira de democratizar o consumo, de tornar acessíveis produtos e serviços que, de outra forma, seriam um sonho impossível para a população de menor renda.

Mas e se essa dança fosse interrompida? E se, de repente, você só pudesse parcelar suas compras com a adição de juros? A pesquisa nos diz que 42% das pessoas reduziriam seus gastos pela metade nesse cenário. Seria como se alguém desafinasse a música da nossa rotina, piorando nossa qualidade de vida. E essa não é a solução para o problema do endividamento.

Continua após a publicidade

É importante entender que o problema do endividamento não está no parcelamento sem juros. A pesquisa nos mostra que a inadimplência não está diretamente relacionada ao parcelamento, desafiando a ideia de que essa dança é a vilã das finanças pessoais. Entre os brasileiros com dívidas em aberto ou nome no Serasa, é maior a fatia que não parcela sem juros no cartão, ou seja: parcelar sem juros no cartão é um viabilizador de acesso com menor impacto no endividamento prejudicial.

Além disso, a pesquisa revela que 34% da população precisaria recorrer ao parcelamento no cartão de crédito se tivesse uma despesa urgente de R$ 500. Essas são as situações imprevistas que surgem no nosso caminho, como um pneu furado ou um encanamento quebrado. O parcelamento sem juros muitas vezes é a tábua de salvação que nos permite enfrentar esses desafios sem afundar nas dívidas. Do contrário, mesmo em um cenário de emergência, os consumidores seriam obrigados a pagar juros, aumentando a chance da bola de neve do endividamento.

O parcelamento sem juros é uma coreografia que todos nós aprendemos a dançar. Ele faz parte da nossa vida cotidiana, permitindo-nos gerenciar nosso orçamento, ter acesso a produtos e serviços essenciais ou sonhos e enfrentar despesas imprevistas. Mudar essa dança pode ter impactos profundos em nossa rotina, e é importante que qualquer mudança seja pensada com cuidado, levando em consideração o que é melhor para todos nós brasileiros que dançam ao ritmo do parcelamento sem juros. É uma dança que democratiza o consumo e nos mantém no compasso certo da nossa vida financeira.

Em um país desigual como o nosso, o Parcelamento Sem Juros é uma Questão de Justiça Financeira.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.