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Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens paranaenses. Por Guilherme Voitch, de Curitiba

Requião e PT: idas e vindas de uma química complicada

Senador Roberto Requião (PMDB-PR) tem se empenhado na defesa do ex-presidente Lula

Por Guilherme Voitch 18 dez 2017, 12h45 | Atualizado em 30 jul 2020, 20h38
Requião e PT: idas e vindas de uma química complicada Priorizar nos meus resultados Google

Nas últimas semanas, o senador Roberto Requião (PMDB) tem dado seguidas declarações de apoio ao ex-presidente Lula em suas redes sociais. Em um vídeo divulgado no Facebook na última sexta-feira (15), Requião faz uma convocação a “todos os brasileiros”. “Dia 24 [data do julgamento de Lula no TRF 4] vamos todos a Porto Alegre em uma vigília cívica exigir que as eleições sejam completas e limpas com a participação de Luiz Inácio Lula da Silva.”

Ao mesmo tempo, blogs e revistas ligadas ao PT têm enaltecido a postura do senador. Em um deles, Requião é citado como possível vice de Lula nas próximas eleições. A revista Carta Capital publicou matéria classificando o senador como “plano B” do petista para 2018.

Relação complicada

Principal nome do campo de esquerda no Paraná, Requião sempre viveu uma relação complicada, de idas e vindas, com o PT. Prefeito de Curitiba e governador do Paraná em três oportunidades, Requião garantiu palanque para as candidaturas de Lula e Dilma Rousseff no estado. Em 2002, já eleito presidente, Lula deu uma declaração ao jornal Folha de S.Paulo afirmando que gostava do senador “de graça”. “Com o Requião, tenho uma coisa química, de pele mesmo”, afirmou. Nas gestões mais recentes do peemedebista no governo do estado, o PT ocupou cargos importantes, como a Secretaria de Planejamento, chefiada na época pelo deputado federal Ênio Verri.

Por outro lado, o estilo personalista de Requião teria, na visão de alguns petistas, “asfixiado” o crescimento do PT paranaense, que nunca conseguiu criar um nome de peso, capaz, por exemplo, de disputar com chances de vitória o governo do estado. A ascensão de Gleisi Hoffmann, que em 2010 foi mais votada que o próprio Requião na eleição para o Senado, coincidiu com um período de estremecimento entre o senador e o PT. O ex-deputado federal André Vargas, preso no Complexo Médico em Pinhais, e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido de Gleisi, protagonizaram vários bate-bocas com Requião. O peemedebista chegou a acusar Bernardo de querer superfaturar a construção de um ramal ferroviário no Paraná. Bernado processou o senador e em 2014 ganhou uma indenização de 40 mil reais por danos morais.

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Do contra

No Senado, Requião também nunca fui um aliado dos mais confiáveis para Dilma Rousseff. “O governo não contava com ele. No Legislativo, o Requião não sabe ser base. Prefere sempre ser contra. Essa é uma característica pessoal dele. Ele sempre foi crítico da Dilma, mas como a direita conseguiu capitalizar a insatisfação contra ela, a crítica dele, à esquerda, foi esquecida. Hoje ele está confortável junto com o PT, porque bate no Temer”, diz um deputado paranaense próximo do senador.

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