Samara Joy: a “algoz” de Milton Nascimento e Anitta, mas que ama o Brasil
A cantora americana de jazz ganhou dois Grammys neste ano e desbancou o brasileiro na categoria de melhor álbum vocal de jazz

Aos 25 anos, a cantora americana de jazz, Samara Joy, é um talento nato. Simpática, divertida e multipremiada no Grammy (ela foi indicada cinco vezes ao longo da curta carreira e venceu todas), ela também acabou se tornando a “carrasca” dos brasileiros. Logo em sua estreia no Grammy, em 2023, ela venceu Anitta na categoria de artista revelação – e de quebra ganhou também na categoria de melhor álbum vocal de jazz. No ano seguinte, ganhou mais um gramofone, na categoria de melhor performance de jazz e, neste ano, levou outras duas estatuetas, também de melhor performance de jazz e de melhor álbum vocal de jazz, vencendo Milton Nascimento e Esperanza Spalding.
De talento inegável, Samara não esconde sua paixão pela música brasileira, especialmente a Bossa Nova e Djavan. Ela, que já cantou com o brasileiro e gravou canções nacionais em seus álbuns, diz que os ritmos brasileiros a influenciaram muito. No tapete vermelho do Grammy deste ano, em entrevista para o Brasil, ela cantou em português. Em entrevista a VEJA, em 2024, por causa do lançamento do álbum que lhe rendeu o Grammy deste ano, Samara afirmou disse que a “Bossa Nova é universal e atemporal. É incrível poder expressar minhas ideias musicais por meio desse ritmo. Embora seja enraizada no jazz, sua influência se espalha por diversos gêneros, como o pop”.
Nascida Samara Joy McLendon, a cantora de 25 anos cresceu em uma família musical: seus avós paternos foram os fundadores do grupo gospel The Savettes, e o pai fazia turnês como baixista ao lado do cantor Andraé Crouch. Estudou na Fordham High School for the Arts, e caiu nas graças do jazz quando ganhou uma bolsa como vocalista da SUNY’s Purchase College. Na época, antes mesmo do lançamento de seu primeiro álbum, a diretora de cinema Regina King descreveu Joy como se “Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald vivessem em seu corpo”, fazendo referência a duas gigantes do gênero.
Em 2023 a cantora se apresentou no Brasil, no festival C6, com um surpreendente e concorrido show no Auditório Ibirapuera, no festival C6, onde cantou canções de Djavan e Tom Jobim. Lamentavelmente, naquela época, a artista chegou a ser atacada por fãs de Anitta que não aceitaram a vitória dela no Grammy. Na ocasião, eles diziam que Samara havia “roubado” o Grammy da cantora de funk brasileira A verdade é que Samara fez um trabalho muito superior ao de Anitta e entregou um álbum espetacular vencendo o Grammy merecidamente. Samara não se abalou e não respondeu às ofensas e seguiu ouvindo música brasileira, inclusive Anitta.