10 capas de discos brasileiros que desafinaram no visual
De Erasmo Carlos a Zé Ramalho, nem sempre a qualidade da música e do artista se refletiu na beleza das capas de seus álbuns
Quando os bolachões reinavam soberanos na música, as capas dos discos eram parte essencial da obra. Com o advento dos CDs e, mais recentemente, do streaming, o hábito de admirar a arte das capas praticamente desapareceu. Por seu tamanho diminuto e muitas vezes relegadas ao segundo plano, praticamente ninguém dá mais bola para isso. Bons tempos em que o Brasil produzia capas antológicas, boa parte delas criada pelo artista Elifas Andreato, morto em março deste ano. Nem sempre, no entanto, as capas de discos nacionais acertavam. A seguir, uma lista com as 10 delas que mais desafinaram no visual:
No segundo disco de Zé Ramalho, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, lançado em 1979, o artista não foi nada sutil. Na época, o personagem trash Zé do Caixão dominava os cinemas brasileiros e foi convidado para estampar o álbum, com suas unhas gigantes. Na cena, Zé Ramalho interpreta o dono do céu enquanto Xuxa Lopes faz o papel de uma “vampira”. Embora criativa, a imagem mais parece uma capa de filme de terror B.
Uma das capas mais polêmicas da história da música brasileira, a do álbum Todos os Olhos, de Tom Zé (1973), traz uma imagem que lembra um olho, mas na verdade remete mais a certo orifício íntimo. O conceito da capa veio de Décio Pignatari, amigo de Tom Zé. A imagem, supostamente, deveria mostrar um ânus feminino com uma bola de gude no centro, como uma maneira de afrontar a censura imposta pela ditadura. As fotos até chegaram a ser feitas, mas ficaram explícitas demais. No fim das contas, a imagem usada na capa foi dos lábios de uma modelo com a bola de gude.
Roberto Carlos não gosta de batizar seus álbuns. Por isso, a maioria deles é apenas identificada pelo ano. O cantor também é pouco criativo nas capas, quase sempre com fotografias de seu rosto. Em 1989, porém, Roberto inovou ao posar com uma pena na orelha. O resultado causa estranheza e, sinceramente, é bem cafona mesmo. Seria injustiça, no entanto, dizer que o cantor não tem nenhuma capa bonita. Um exemplo é o álbum de 1970, como uma bela foto em preto e branco do cantor no palco, feita pela fotógrafa Thereza Eugenia.
Em 1985, a atriz Glória Pires, com seus 20 e poucos anos, era um dos rostos mais conhecidos do Brasil, quando topou participar do álbum Drops de Hortelã, de Oswaldo Montenegro, em uma aventura musical que ela não levou para a frente. Na imagem, ambos aparecem com bengala e chapéu coco. A cantora logo perceberia que, como cantora de MPB, ela é uma ótima atriz de novelas. Mas Montenegro, vale frisar, continuou a ser uma figura hors-concours em matéria de capas e discos duvidosos.
Um dos maiores vendedores de discos do Brasil, atrás apenas de Roberto Carlos, o cantor Nelson Gonçalves não teve uma vida fácil. Em 1966, foi preso e teve sua casa vandalizada pela polícia após ser flagrado usando drogas. O cantor, no entanto, se reergueu. Em Pra Você, um dos álbuns que marcaram seu retorno, ele interpreta canções que se tornaram clássicos do samba-canção. Mas a capa, em que aparentemente emula o personagem Dr. Spock, de Jornada nas Estrelas, é de lascar.
Ney Matogrosso sempre foi um artista bem resolvido com seu corpo, mas a pose da foto da capa do álbum Mato Grosso, definitivamente, não valorizava o cantor. Lançado em 1982, o disco não fez tanto sucesso quanto seus trabalhos anteriores, porém trouxe a canção Promessas Demais, da trilha da novela Paraíso, de Benedito Ruy Barbosa. O álbum contou ainda com Johnny Pirou, cuja execução pública foi proibida pela censura na época.
Erasmo Carlos levou ao pé da letra a expressão “de peito aberto”. A capa do álbum de 1982, Amar pra Viver, ou Morrer de Amor, traz o artista literalmente abrindo seu tórax e deixando sair de lá de dentro uma pomba branca. Com um resultado estético para lá de kitsch e assustador, o disco se destaca pela canção-título, uma das mais bonitas da carreira do músico, além de Mesmo que Seja Eu e Filosofia de Estrada.
A falta de criatividade na capa do álbum Caubeatles, de Cauby Peixoto, só perde para o infame trocadilho que o músico usou para batizar o disco, no qual ele fez covers dos Beatles, soltando seu vozeirão em músicas como And I Love Her, The Long And Winding Road, My Love, Yesterday e Let It Be.
Talvez seja difícil encontrar uma capa de álbum mais pavorosa do que With Lasers, do Bonde do Rolê, lançado em 2007. A imagem mostra uma montagem do Rio de Janeiro com o Cristo Redentor soltando raios laser (?!) pelos olhos. O grupo, que fez relativo sucesso há dez anos, jamais foi reconhecido também pela qualidade de suas canções.
Uma das maiores compositoras e cantoras brasileiras, e também uma das figuras mais folclóricas do ramo, Angela Ro Ro assustou os fãs com a capa de seu álbum ao vivo, que mostrava apenas seus olhos e seu sorriso. O pavoroso resultado sugere mais um álbum de terror que de amor, eclipsando sucessos como Fogueira, Cobaias de Deus e Amor, Meu Grande Amor.
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