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Paulo Freire energúmeno

Ataque para ganhar eleitor

Por José Paulo Cavalcanti Filho
20 dez 2019, 11h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h15
  • Paulo Freire é, talvez, o brasileiro mais homenageado pelo mundo. Depois de Pelé. Tem 35 títulos de Doutor Honoris Causa em universidades estrangeiras. Sua Pedagogia do Oprimido é o terceiro livro mais citado nos trabalhos da área de humanas. Bem mais que Vigiar e Punir, de Foucault. Ou O Capital, de Marx. Não é pouca coisa. Mas ninguém é perfeito. Pode-se até dizer que não era tão preparado assim. Por exemplo, em concurso para a cátedra de Filosofia (na UFPE), ele foi derrotado indiscutivelmente por nossa confrade, na Academia Pernambucana de Letras, Maria do Carmo Tavares de Miranda. A Filósofa de Paris, como a definia Gilberto Freyre. Doutora pela Sorbonne, foi assistente do maior filósofo alemão do século passado, Martin Heidegger. Na Universidade de Friburgo (Alemanha). Para lembrar, uma de suas alunas era Hannah Arendt. Ou pode-se referir não ser tão original. Que teria só adaptado teses anteriores de Anísio Teixeira e outros. Mas “energúmeno”, com certeza, Paulo não era.

    É difícil entender por que o presidente da República tem rompantes assim. Como esse, definindo como “energúmeno” alguém que nunca lhe fez mal. De graça. Descumprindo a regra básica da cavalaria, que manda cessar a batalha quando o oponente não pode mais pelejar. Ofendendo um morto. Então, por que a grosseria mal-educada? Duas hipóteses. Uma, é que se trate de uma pessoa instável. Que diz o que não deve, nas horas mais impróprias. Não acredito nisso. Num conto de Poe (O Escaravelho Dourado), a velhinha desconfia da loucura de um personagem. Por haver “um certo método”, nas ações dele. E é possível entrever esse método, por trás das diatribes do nosso presidente. Como se ele calculasse, antes de falar.

    Única explicação possível, pois, é ser de propósito. Para ter vantagens eleitorais, ao ofender um ícone da esquerda. Alguém do PT. Lembro do estrategista militar e futurólogo americano Herman Khan. Autor de Quando a História Também é Futuro. Para ele, “alguns assuntos deveriam ser tratados só por loucos e entendidos”. Sigo nessa trilha. Como louco não sou (ou penso eu não sou, o que dá no mesmo), e muito menos entendido nas tramas da política (com certeza), melhor então ficar em silêncio. Outros expliquem. Mas, pensando no Brasil, e para não perder a oportunidade, faço um pedido natalino:  Por que não te calas?, senhor presidente.

    José Paulo Cavalcanti Filho. jp@jpc.com.br 

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