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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O que a decisão de Toffoli esconde

Nada é como parece

Por Ricardo Noblat
19 jul 2019, 08h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h34
  • Dá-se de barato que a decisão do ministro Dias Toffoli de proibir que órgãos de administração do governo compartilhem informações fiscais com o Ministério Púbico foi para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), investigado por suspeita de corrupção. Beneficiou, sim, e também a milhares de pessoas que se encontravam nas condições de Flávio. Mas isso não explica tudo.

    Ao suspender processos abertos com base em dados repassados ao Ministério Público pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão do Ministério da Economia, Toffoli beneficiou a si mesmo, e a colegas de tribunais que foram ou poderiam ser alvos de investigações. De quebra, contribuiu para tentar interromper a sangria provocada pela Lava Jato.

    Há um ano, a revista eletrônica Crusoé, do site O Antagonista, publicou que Toffoli recebia desde 2015 uma mesada de R$ 100 mil da sua mulher, a advogada Maria Rangel, o que totalizaria desde então R$ 4 milhões. E que a área técnica do Banco Mercantil, onde os valores eram depositados, havia encontrado indícios suficientes para suspeitar de lavagem de dinheiro.

    Em fevereiro último, o ministro Gilmar Mendes enviou ofício a Toffoli onde pediu a adoção de “providências urgentes” para apurar a iniciativa de auditores fiscais de investigar a ele e a seus familiares sem que “nenhum fato concreto” motivasse a devassa nas suas contas. Toffoli procurou Paulo Guedes, ministro da Economia. O COAF negou que investigasse Gilmar. Ficou por aí.

    O passo seguinte de Toffoli foi abrir inquérito para descobrir a origem de fakenews. Designou o colega Alexandre de Moraes para cuidar do assunto. A primeira coisa que Alexandre fez foi censurar o site O Antagonista por ter publicado um e-mail do empresário Marcelo Odebrecht que se referia a Toffoli como “amigo do amigo do meu pai”. O amigo de Emílio, pai de Marcelo, era Lula.

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    O COAF deveria ter sido transferido do Ministério da Economia para o Ministério da Justiça. Mas como isso reforçaria o poder de investigação do ministro Sérgio Moro e da Lava Jato, a proposta do governo acabou derrotada no Congresso. Muitos parlamentares, ali, respondem a processos por corrupção. Querem mais é ver Moro pelas costas, e a Lava Jato enfraquecida.

    Se Flávio não tivesse lucrado com a decisão de Toffoli, a essa altura ela já estaria sendo atacada pelo presidente Jair Bolsonaro e sua legião de devotos, ácidos desafetos da Justiça.  Mas, não. Todos estão fazendo cara de paisagem.

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