Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Nascimento, dor e crescimento psíquico

Psicanálise da Vida Cotidiana

Por Carlos de Almeida Vieira
28 fev 2018, 16h00 • Atualizado em 28 fev 2018, 16h00
  • Quando nascemos, inevitavelmente, caímos numa terra estranha. Fica estabelecido que essa cicatriz tramática da separação será por toda a vida uma angústia a ser elaborada.

    Somos anjos caídos, perdemos a ilusão paradisíaca e, a partir daí, procuraremos sempre resgatar através de empreendimentos, sonhos e realizações esse espaço da separação. A dor do nascimento é pavorosa, mas ela é aliviada se tivermos a sorte de sermos acolhidos por uma mãe ou por qualquer pessoa com função maternal. No colo, mamando, aparece a alegria, o prazer e uma nova tentativa de fusão com o “objeto perdido”. Somos condenados a procurar novas uniões com o mundo e nossos semelhantes.

    Octavio Paz, poeta e crítico literário mexicano, em seu discurso ao receber o Nobel de Literatura, em 1990 escreveu: “O sentimento de separação se confunde com minhas recordações mais antigas e confusas: com o primeiro choro, com o primeiro medo. Como todas as crianças, construí pontes imaginárias e afetivas que me uniam ao mundo e aos outros”.

    A função de viver é a busca do outro, o amor pelo outro, o conforto perdido no início. O indivíduo procura em toda a sua vida “um porto seguro”, alguma pessoa que ele acredite que estará sempre à sua disposição, pois a condição humana será sempre conviver com a eterna insegurança e possibilidade de sentimento de perda e falência psíquica. No entanto, podemos pensar que, crescendo e se desenvolvendo, criamos um aparelho mental, psíquico, que possa suportar, digerir e elaborar a angústia sem necessariamente enlouquecer ou ter necessidade de uma dependência patológica. Daí teremos de contar com uma força de vida, intrínseca, inerente, e com ela desenvolver a capacidade de trabalho psíquico, sozinho ou com a ajuda de outra pessoa.

    Existem pessoas que têm ódio ao trabalho, tendência a ficar esperando ajuda sempre, preguiça de usar seus recursos psíquicos, medo de ousar no desconhecido, conviver com a incerteza – todos esses fatores terminam por levar essa pessoa a um estado latente, e às vezes, uma vida de colorido depressivo acompanhado de queixumes e raiva. Essas pessoas definitivamente não fazem nada para suportar a separação.

    Continua após a publicidade

    Jean-Paul Sartre um dia escreveu (citado por Elisabeth Roudinesco): “O segredo de um homem não é o seu complexo de Édipo, e sim o próprio limite de sua liberdade, seu poder de resistência aos suplícios e à morte”.

     

    Carlos de Almeida Vieira é alagoano, residente em Brasília desde 1972. Médico, psicanalista, escritor, clarinetista amador, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association 

    Publicidade
    TAGS:

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.