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Eleição deixa de ser um passeio

Recordar é viver

Por Ricardo Noblat
20 set 2018, 11h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 20h19
  • Texto do dia 20/9/1989

    Alguma coisa acontece no coração dos eleitores entrevistados pelos institutos de pesquisa. Há um mês, se tanto, em público ou em particular, políticos em geral dos variados matizes consideravam o candidato Collor de Melo praticamente eleito para suceder o presidente José Sarney. Discordava apenas quanto à possibilidade de ele se eleger direto no primeiro turno. A maioria admitia que isso poderia ser possível.

    O próprio candidato parecia esbanjar confiança de que venceria a eleição no primeiro turno com metade mais um dos votos válidos conferidos por um total de 82 milhões de eleitores.

    Para que votar duas vezes se o candidato será o mesmo? – chegou a entoar o coro de adeptos fervorosos do ex-governador de Alagoas. A realização do segundo turno da eleição rachará o país ao meio, advertiu Collor mais de uma vez.

    Nos últimos 10 dias, a avaliação dos políticos mudou radicalmente. Pelo menos por enquanto, foi arquivada a discussão em torno das chances de Collor obter a maioria absoluta dos votos ainda no primeiro turno.

    Raros são os políticos que agora imaginam que isso ainda poderá ocorrer – salvo uma brutal inversão do quadro eleitoral delineado. A inversão é possível – qualquer coisa o é –, mas não parece provável.

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    Collor abandonou o discurso contra o perigo de o segundo turno dificultar o entendimento nacional necessário para que o próximo presidente possa montar uma boa equipe de governo.

    No início desta semana, em contato com jornalistas em Brasília, o candidato começou a dizer coisas como “se eu me eleger”, se o povo me indicar para o ser “o futuro presidente”. Tais coisas suavizam, um pouco, a imagem arrogante projetada por ele.

    Fazem parte, portanto, de um esforço empreendido por Collor para superar a resistência que enfrenta em certas áreas de opinião. Mas tais coisas, também, estão mais de conformidade com o momento que sua candidatura atravessa.

    A mais recente pesquisa do Instituto Gallup registrou que Collor está caindo na preferência dos eleitores de todos os níveis de instrução. Cai em todas as faixas sociais.

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    Nas cidades de pequeno, médio e grande porte, está caindo. O Instituto DataFolha, ligado ao jornal Folha de S. Paulo, apurou que Collor está em baixa nas 10 mais importantes capitais do país.

    Em Belo Horizonte e Brasília foi ultrapassado pelo candidato Afif Domingos, do PL. O instituto Bonilha, de reputação reconhecida no Paraná, concluiu ontem mais uma pesquisa sobre a intenção de voto em Curitiba e arredores. Ali, até meados de agosto último, Collor detinha 40% do eleitorado.

    Na última semana de agosto, caiu para 37%. Na primeira de setembro, caiu mais um pouco para 32%. Agora, está com 30%. Afif está crescendo em Curitiba e Florianópolis.

    O empresário e jornalista Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, está preocupado com a ascensão de Afif. “Esse moço está tirando votos de Collor”, observou Marinho. Determinou a seu jornal que reduza o espaço que vinha oferecendo para noticiar as atividades de Afif.

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    Collor não contava que Afif viesse a demonstrar tanto fôlego. Subestimou-o. Collor contava com um desempenho melhor dele mesmo no Rio de janeiro, aproveitando o desgaste sofrido por Leonel Brizola quando governou o estado. O desempenho de Collor no Rio está muito aquém das perspectivas dele e dos seus assessores.

    Não deu certo até agora o projeto de vender Collor como carioca aos eleitores do Rio. O candidato contava em polarizar com Brizola no Sul do país.

    “Collor é gaúcho” – foi um slogan que circulou no Rio Grande do Sul por iniciativa de auxiliares do governador Pedro Simon. “Gaúcho vota em gaúcho”, replicou o PDT do estado. Brizola ameaça a sair do Rio Grande do Sul com mais de 60% do total de votos.

    O programa do candidato do PRN no horário gratuito de propaganda eleitoral confirma a opção que ele fez pelos eleitores das classes sociais C, D e E – que representam mais de 70% do eleitorado de 15 de novembro. O programa reforça a imagem de Collor de jovem destemido, disposto a pôr os corruptos na cadeia. O candidato perdeu o interesse em conquistar o chamado “voto qualificado”.

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    Não quer perder a folgada maioria que tem entre os mais pobres – os que Carlos Menem chamou na Argentina de “descamisados”. As dificuldades que, por ora, começa a enfrentar para suceder Sarney estão ainda muito distantes de configurar um perigoso sinal de que corra o risco de ficar de fora do segundo turno.

    A eleição deixou de ser o passeio que chegou a parecer para Collor. Passou a ser uma eleição com as características de imprevisibilidade inerentes a qualquer outra.

    (Publicado originalmente no Jornal do Brasil)

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