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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Deus, o Diabo, e Cassandra na Terra do Sol

Aparentemente, Lúcifer tinha algum tempo sobrando enquanto construía o inferno nos trópicos.

Por Elton Simões
27 ago 2018, 14h00 • Atualizado em 27 ago 2018, 14h00
  • Sem nunca entender direito de onde veio a noção, cresci ouvindo que Deus é brasileiro. O tempo todo. Em todo lugar. Sempre como verdade incontestável, indiscutível. Obvia mesmo.

    Repetição, a gente sabe, tem o poder de convencer. Mesmo sem evidencia. Especialmente sem contestação. De tanto ouvir, a gente, no mínimo, acaba aceitando. Ou nos casos mais extremos, acreditando.

    Considerada verdadeira a hipótese da nacionalidade de Deus, resta determinar sua residência atual. Se for brasileiro mesmo, é improvável que esteja ainda no país. Possivelmente pense como os 62% dos jovens brasileiros que aspiram mudar de pais (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/06/se-pudessem-62-dos-jovens-brasileiros-iriam-embora-do-pais.shtml ).

    Mesmo para quem pode tudo, talvez mudar o país tenha se convertido em tarefa impossível. Mais fácil mudar de país. Provavelmente cuidar de imigrantes cubanos em Miami seja tarefa mais fácil. Ou simplesmente aproveitar a vida em Portugal valha mais a pena. Brasileiro dá muito trabalho.

    Na ausência de Deus, o diabo não perdeu tempo. Ou melhor, investiu no tempo. O tinhoso é estratégico. Pensa a longo prazo. Não tem pressa. Começou a trabalhar logo depois que os portugueses esbarraram por ali.

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    Demorou mais de 500 anos, mas a obra parece perto da conclusão. Enquanto amassava pão, Asmodeo investiu na ignorância. Nada garante mais um inferno eficiente que analfabetismo (funcional ou não), ignorância e falta de informação. Maldade das boas demora tempo para fabricar.

    Não parece ter dado muito trabalho. Aparentemente, Lúcifer tinha algum tempo sobrando enquanto construía o inferno nos trópicos. Tudo indica, gostava de mitologia grega. Talvez inspirado nela, tenha infestado os trópicos com a maldição de Cassandra.

    Criou estranho povo. O brasileiro é sempre capaz de perceber os problemas. Não discute que existem. Analisa-os ad nauseam, autocondenados que estamos ao labirinto retorico no qual entramos sem razão alguma.

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    Prevemos com precisão as consequências de nossas mazelas. Descrevemos em cores vívidas as lamas que nos espera. Mas empurramos a golpes de abdômen qualquer tentativa de resolve-las.

    O diabo nos deu o dom da profecia, mas retirou nossa capacidade de acreditar nelas, e, consequentemente, evitar as inúmeras catástrofes e desgraças que a gente assiste, todos os dias, ao vivo, na primeira tela disponível.

    Enquanto isso, assistimos tratamos como comédia, a tragédia de promessas eleitorais requentadas, velhas, obscuras e sem sentido. Condenados a trabalhar com Belzebu na construção do nosso inferno tropical.

    Elton Simões mora no Canadá. É President and Chair of the Board do ADR Institute of BC; e Board Director no ADR Institute of Canada. É árbitro, mediador e diretor não-executivo, formado em direito e administração de empresas, com MBA no INSEAD e Mestrado em Resolução de Conflitos na University of Victoria. E-mail: esimoes@uvic.ca . 

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