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Ausência, sob o vértice de Drummond

Psicanálise da Vida Cotidiana

Por Carlos de Almeida Vieira
17 out 2018, 16h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 20h15
  • Há, na Antologia Poética de Carlos Drummond, um poema no qual o nosso querido poeta apreende a questão da ausência, da solidão e angústia de estar sozinho consigo mesmo, experiência não raramente temida pelas pessoas. Drummond elabora esse tipo de angústia de uma forma que os poetas sabem: a Arte como forma de vida e como elaboração de angústias existenciais.

    É preciso fazer uma distinção entre o estar-sozinho e a solidão, solidão aqui no sentido de não suportar ser companheiro de si próprio e cair numa crise de pânico ou num estado melancólico de abandono. Estar sozinho é estar acompanhado de si mesmo, tendo dentro de si mesmo, uma vida interior rica de pessoas e objetos queridos.

    São João da Cruz sempre disse que, quando se tem amor no coração não se sofre de solidão. A solidão é um estado psíquico onde a pessoa, com ela mesma, cria, brinca, reflete, medita e explora seus espaços próprios de vida própria. Aliás, sempre somos sós, ainda que acompanhados, mas é preciso desenvolver a capacidade de ser companheiro de si próprio. A um termo equivalente chamado de Solitude, termo que propicia a expansão do ser independente do outro, e que raramente os pais não costumam dar essa liberdade aos filhos

    Aprendamos com o poeta em seu poema Ausência: “Por muito tempo achei que ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência./ Ausência é um estar em mim./ Sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/ que rio e danço e invento exclamações alegres,/ porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim”.

    O poema mostra a elaboração da falta inerente do ser humano, sendo hospedeiro dela sem raiva, ódio e depressão. Notem, prezados leitores, que o poeta mostra em sua intuição poética, a metáfora da criatividade quando podemos brincar, aconchegar e encher a ausência com arte, poesia, literatura, ciência e conhecimento.

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    A cultura é forma mais excelente de preencher os vazios da existência, o que os estudiosos em vários campos do conhecimento, hoje, chamam da importância da Negatividade. Ai de nós se, em nossas vidas, não desenvolvermos a capacidade de estar-sozinho para criar, para expandir a nossa auto-estima e não cairmos nos estados patológicos de dependência.

    Caso contrário, viveremos a tragédia que David Grossman, em seu belo e profundo livro Fora do tempo, nos escreve num fragmento poético: “Que teu corpo/ e o meu como dois/ carrapatos se agarram à vida/ e grudaram um no outro e nos/ obrigaram a viver?” 

     

    Carlos de Almeida Vieira é alagoano, residente em Brasília desde 1972. Médico, psicanalista, escritor, clarinetista amador, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association

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