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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A Segunda morte de Luzia

As cinzas do mais antigo museu do país ainda não tinham esfriado quando ficamos sabendo de outra calamidade. O ensino básico está falido

Por Hubert Alquéres
5 set 2018, 14h03 • Atualizado em 5 set 2018, 14h03
  • Nas labaredas do Museu Nacional desapareceu o crânio de Luzia, um fóssil de 12 mil anos, o habitante mais antigo da América. Mesmo se for encontrada, Luzia morreu pela segunda vez e com ela o mais rico patrimônio histórico e arqueológico do país. Mais: morreu parcela importante da memória nacional e parte da autoestima dos brasileiros.

    As cinzas do mais antigo museu do país ainda não tinham esfriado quando ficamos sabendo de outra calamidade. O ensino básico está falido, segundo os resultados do Índice do desenvolvimento da Educação-Ideb.

    Esse é o retrato de um país onde educação e cultura não são prioridade e suas mazelas são ignoradas por governantes. Por sua vez, a sociedade não se mobiliza para superá-las.

    Não é de hoje que a educação tem uma vida Severina, morrendo um pouco por dia. Mas como suas chamas são invisíveis, a tragédia revelada pelo Ideb não causou comoção. Nem por isso deixa de ser tão grave quanto incêndio do Museu Nacional.

    É comum em desgraças como essas se eleger um bode expiatório. Autoridades se esquivam de suas responsabilidades, como se o incêndio do maior acervo do país ou o fracasso escolar não lhes dissessem respeito. Passada a comoção, tudo volta a ser como antes no quartel de Abrantes, com a Educação e a Cultura relegadas a último plano. Mais do que buscar culpados, importa em ir às causas para que novos desastres não se repitam.

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    Elas não serão encontradas em clima de partidarização da perda do maior acervo histórico e científico do país. Atribuir a culpa exclusiva ao governo de plantão ou ao reitor da UFRJ pode servir à disputa política mesquinha, mas é um desserviço ao país, além de não evitar novas calamidades anunciadas.

    Não é de hoje que os museus brasileiros sobrevivem em meio de enormes dificuldades, quando não estão entregues às moscas. No caso do Museu Nacional, há décadas. Na base de tudo está a falta de recursos, de resto um problema que não é monopólio da cultura.

    Falta dinheiro para a saúde, a educação, a segurança e outras prioridades da população. Como equacionar o atendimento de tais demandas em tempos de cobertor curto e como arrumar novas fontes de financiamento é o desafio a ser enfrentado. O que os presidenciáveis tem a dizer sobre isto?

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    Sabemos que os museus são poucos frequentados no Brasil. Isto tem tudo a ver com o nível educacional e cultural do nosso povo. Afinal é exigir muito que um jovem se interesse por nossa memória histórica se ele sequer sabe interpretar um texto.

    Esse é o ponto. Países que preservam seus acervos e museus têm educação de qualidade e alto nível cultural. Graças a esses dois requisitos os museus europeus destruídos na Segunda Guerra Mundial ressurgiram das cinzas. Acontecerá o mesmo com o Museu Nacional ou, tal qual Luzia, morrerá mais uma vez?

    Hubert Alquéres é professor e membro do Conselho Estadual de Educação (SP). Lecionou na Escola Politécnica da USP e no Colégio Bandeirantes e foi secretário-adjunto de Educação do Governo do Estado de São Paulo  

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