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Política e sorte

A maré não tem se movido a favor do presidente da República

Por Murillo de Aragão Atualizado em 14 mar 2025, 13h36 - Publicado em 14 mar 2025, 06h00

A sorte na política é um elemento imprevisível, mas quase sempre decisivo. Embora a competência, a articulação e o contexto institucional sejam determinantes para o sucesso de um líder, há momentos em que fatores inesperados podem mudar completamente o curso de um governo ou de uma carreira política. Lula é reconhecido por sua habilidade em tirar proveito das circunstâncias e, não raramente, contar com a sorte para impulsionar sua trajetória política. No entanto, neste terceiro mandato, a impressão é de que a maré não tem estado a seu favor. Os erros estratégicos superam os acertos, e o governo parece não ter engrenado de fato. Com o tempo se tornando um fator cada vez mais decisivo, o Planalto busca uma reviravolta para conter a queda de popularidade que se acentuou nos primeiros meses de 2025.

A oposição, por sua vez, demonstra agilidade ao explorar tropeços e gafes do governo, ampliando a sensação de descontrole. No Congresso, especialmente entre os políticos do Centrão, há uma percepção difusa de que Lula não tem tido a mesma sorte de outrora, principalmente em suas escolhas. O Parlamento, sobretudo o Centrão, mantém sua lógica pragmática. Até agora, os líderes partidários evitam um alinhamento incondicional ao governo, mas não demonstram disposição para inviabilizá-lo. A estratégia é clara: aguardar o momento ideal para barganhar apoio em troca de espaços políticos e orçamentários mais vantajosos. A liberação de emendas, peça-chave nas negociações, não deve atingir o patamar necessário para garantir apoio consistente ao Planalto. Diante disso, o governo enfrenta uma situação de “fogo brando”, com movimentações políticas, mas sem resultados concretos.

“Os erros estratégicos superam os acertos, e o governo parece não ter engrenado de fato”

O risco para Lula é que o Executivo acabe refém do pragmatismo parlamentar, sendo forçado a ceder cada vez mais para destravar votações essenciais. Sem uma base sólida no Congresso, as ações do governo podem se tornar insuficientes para reverter a sensação de paralisia administrativa. O embate legislativo ainda não começou para valer neste ano, mas, quando iniciar, será num tabuleiro desigual. O governo precisará equilibrar concessões políticas sem comprometer sua estratégia eleitoral, o que exigirá uma perícia que ainda não demonstrou. A busca pela popularidade a qualquer custo pode se tornar um tiro no pé caso não haja sustentação política real para as medidas adotadas, especialmente porque o Congresso jogará visando a atender aos interesses dos caciques políticos em suas agendas de poder. O que veremos será um cenário de assimetria entre projetos e expectativas em meio a dúvidas sobre a popularidade do governo.

Curiosamente, há um fator externo que, por ora, joga a favor de Lula: a postura errática de Donald Trump na condução da guerra comercial dos Estados Unidos. O mercado, momentaneamente distraído por essa instabilidade global, tem dado menos atenção às incertezas do Brasil. No entanto, essa margem de manobra pode ser temporária. Assim que o Congresso voltar a debater as questões fiscais e o pacote de benefícios do governo, a realidade retornará ao centro do palco.

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O mercado está impaciente com a crescente deterioração das contas públicas, um fator que pode impactar drasticamente o câmbio, a taxa de juros e, consequentemente, a inflação. Nos próximos meses, veremos se a sorte que acompanhou Lula em momentos críticos — como no escândalo do mensalão e na anulação de suas penas relacionadas à Operação Lava-Jato — continuará ao seu lado na reta final do governo.

Publicado em VEJA de 14 de março de 2025, edição nº 2935

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