O ano político se encerra com um vencedor claro no tabuleiro brasileiro: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E isso não se explica por um único fator, mas por uma convergência de elementos que, combinados, fortalecem sua posição às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
O primeiro e mais evidente deles são as pesquisas de opinião. Lula lidera em todos os cenários testados, contra qualquer adversário. Não se trata apenas de uma fotografia momentânea, mas de uma consistência que atravessa diferentes levantamentos e institutos, sinalizando uma grande resiliência eleitoral.
Em segundo lugar, pesa a desorganização da oposição. O lançamento do senador Flávio Bolsonaro como candidato do bolsonarismo — ainda que não totalmente inesperado — produziu mais ruído do que coesão na direita. Há insatisfação clara dentro do próprio campo oposicionista, que majoritariamente preferiria ver Tarcísio de Freitas como nome mais competitivo. A escolha de um candidato que não empolga nem unifica fragiliza a oposição antes mesmo do início formal da disputa.
“O lançamento do senador Flávio Bolsonaro como candidato do bolsonarismo produziu mais ruído do que coesão na direita”
O terceiro aspecto é particularmente relevante: apesar de um ambiente polarizado, com taxas de aprovação e desaprovação relativamente equilibradas, o presidente não sofreu danos relevantes em função de dois grandes escândalos em curso — o caso do INSS, que tangencia inclusive sua família, e o episódio envolvendo o Banco Master. Nenhum deles produziu impacto negativo perceptível sobre sua aprovação. Pelo contrário: seus índices orbitam a casa dos 50%, mantendo uma tendência de alta iniciada no começo do ano. A blindagem política diante desses episódios conta a favor do presidente.
O quarto fator é de natureza internacional. Lula conseguiu restabelecer e estruturar um canal de diálogo com os Estados Unidos, especificamente com o presidente Donald Trump. Esse movimento resultou tanto na redução de tarifas quanto no recuo da ameaça de aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes. O fato de o governo brasileiro ter conseguido reverter um cenário inicialmente hostil — agravado, inclusive, por pressões do próprio bolsonarismo no exterior — configura uma vitória diplomática relevante.
Por fim, a economia segue contribuindo para esse ambiente favorável. O crescimento do PIB, embora longe de ser exuberante, é consistente. A inflação está em trajetória de queda e, apesar dos efeitos contracionistas da taxa de juros, isso não comprometeu o desempenho agregado da economia. O dado mais sensível politicamente continua sendo o mercado de trabalho: a taxa de desemprego permanece baixa. Ainda que o indicador embuta distorções metodológicas — como a exclusão dos que desistiram de procurar emprego —, o que importa, do ponto de vista político, é a percepção social de estabilidade e oportunidade.
Diante desse conjunto de fatores, Lula encerra o ano pré-eleitoral e inicia 2026 em posição francamente favorável. Trata-se de um cenário que exige realismo e recalibração estratégica por parte da oposição. Não será uma eleição simples — e ignorar essa realidade tende apenas a aprofundar os erros de diagnóstico.
Publicado em VEJA de 19 de dezembro de 2025, edição nº 2975
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