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Murillo de Aragão

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Favoritismo em números

São mais de R$ 220 bilhões em investimentos e crédito programados para o ano eleitoral

Por Murillo Aragão 24 dez 2025, 12h49 •
  • O arsenal eleitoral do governo Lula para 2026 é um monumento à aritmética do favor. São mais de R$ 220 bilhões em investimentos e crédito programados para o ano eleitoral, dos quais cerca de R$ 80 bilhões ficarão fora do cálculo do déficit primário. A estratégia é conhecida: injetar dinheiro na economia sem desrespeitar formalmente as metas fiscais.

    Os números são eloquentes. O pacote habitacional movimenta R$ 144 bilhões do FGTS para o Minha Casa, Minha Vida, mais R$ 40 bilhões para reformas pelo programa Casa Brasil, além de R$ 20 bilhões para financiamento à classe média. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil beneficiará 90% dos contribuintes. O programa Gás do Povo custará R$ 5,1 bilhões para atender 22 milhões de famílias. A tarifa social de energia gratuita para consumo até 80 kWh alcançará 11,5 milhões de famílias por R$ 3,6 bilhões anuais. O Pé-de-Meia já atende 4 milhões de jovens com R$ 12,5 bilhões anuais. O consignado privado abre uma nova fronteira de crédito para trabalhadores CLT.

    É o que os economistas chamam de “kit reeleição” — um pacote de R$ 251,9 bilhões em estímulos que inclui desde a expansão do Bolsa Família até novas linhas de financiamento. A lógica é simples: mais gasto público em ano eleitoral significa mais dinheiro circulando, mais consumo, mais aprovação popular.

    O custo dessa generosidade aparece nos números da dívida. A relação dívida/PIB saltou de 71,7% em dezembro de 2022 para 77,5% em meados de 2025. A projeção é que alcance 82,5% ao fim de 2026 — crescimento de 10 pontos percentuais em um único mandato. O Brasil consolida sua posição como o emergente mais endividado depois da China.

    Os gastos fora da meta fiscal acumulados no governo Lula 3 devem totalizar quase R$ 400 bilhões até 2026, segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado. A maior parte — R$ 337 bilhões — é justificada como correção de “calotes” de precatórios e recomposição de despesas. O problema é que, embora não apareçam no resultado fiscal imediato, essas “exceções” impactam diretamente o endividamento.

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    O Orçamento aprovado para 2026 prevê despesas totais de R$ 6,5 trilhões, com R$ 1,82 trilhão — 28% do total — destinados exclusivamente ao pagamento de juros da dívida. A meta é um superávit de R$ 34,2 bilhões, mas a margem de tolerância permite resultado zero. Na prática, haverá déficit.

    O economista Mansueto Almeida projeta déficit efetivo em todos os anos do governo. Felipe Salto, da Warren, estima que as contas só ficarão no azul em 2031. A estratégia fiscal inverteu o ciclo político tradicional: em vez de ajuste no início e expansão no fim, Lula começou com forte impulso e pretende manter a economia aquecida até as urnas.

    Os juros traduzem essa realidade. A Selic está em 15% ao ano, a segunda maior taxa real do mundo. As projeções indicam que não cairá abaixo de 12,25% em 2026. A conta é direta: mais gasto público gera mais inflação, que exige juros mais altos para ser contida.

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    Quem assumir em 2027 herdará uma escolha dramática: promover um dos maiores cortes de gastos da história recente ou abandonar o arcabouço fiscal. Com mais de 90% do Orçamento engessado em despesas obrigatórias, a margem de manobra é mínima.

    O favoritismo eleitoral tem preço. Está tabulado nos R$ 220 bilhões do arsenal, nos R$ 80 bilhões fora da meta, nos 10 pontos percentuais de crescimento da dívida. São números que revelam uma estratégia clara: comprar o presente e enviar a fatura para o futuro.

    A aritmética do favor nunca foi gratuita. Alguém sempre paga.

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