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Oposicionista tem 55% da preferências; Maduro, 14,5%. Quem ganhará?

Todo o jogo sujo não conseguiu impedir que o desconhecido Edmundo González disparasse, mas a questão é quem conta os votos

Por Vilma Gryzinski 20 jun 2024, 07h52

Nicolás Maduro canta uma rumba e toca instrumentos, é aplaudido delirantemente pela multidão e sai carregado nos braços do povo.

Choque da realidade: a parte da música confere, mas não existe multidão, apenas um pequeno grupo convocado pelas organizações chavistas que é filmado em ângulos bem fechados, para dar impressão de um público numeroso e compacto. E os “braços do povo” são na verdade os ombros de integrantes de seu corpo de seguranças.

Reconheça-se que ele até melhorou: começou a campanha para a eleição de 28 de julho com 9% das preferências e está subindo. Muitos analistas concordam que ele tem um potencial de 25% a 30% entre a clientela criada pelo chavismo.

É claro que ele e sua claque contavam com as manobras antidemocrática feitas bem antes da eleição, sendo a principal delas a cassação da candidatura da líder oposicionista María Corina Machado, uma mulher firme, carismática e assumidamente de direita em quem muitos venezuelanos viam uma alternativa viável a um poder dominado, em todas as instâncias, inclusive o judiciário, pelo chavismo, agora já chamado de madurismo.

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PERSEGUIÇÕES MESQUINHAS

A solução foi raspar o tacho e concorrer com o pouco conhecido e nada esfuziante Edmundo González Urrutía, um diplomata de 74 anos e nenhum destaque político.

Foi aí que aconteceu o fenômeno: González se transformou não só num candidato viável como majoritário, com preferências na faixa dos 55%. Muito disso se deve ao desespero dos venezuelanos diante da falência de um país expressada numa diáspora de nada menos de nove milhões de pessoas que não aguentaram continuar na Venezuela.

Mas muito se deve também à energia indomável de Corina, que se jogou na campanha como se ela fosse candidata. Tem enfrentado desde constantes prisões de pessoas da liderança oposicionista como até perseguições mesquinhas.

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Donos de pequenos hotéis e mesmo pirangueiros da região amazônica que transportam os oposicionistas recebem a “visita” da Receita Federal, que embarga seus negócios com multas feitas para destruir – uma tática usada já no fim da ditadura militar do Brasil contra pequenos jornais de esquerda.

Até um modesto restaurante de beira de estrada teve que fechar as portas por ter cometido a ousadia de servir café da manhã à comitiva oposicionista. As donas, duas irmãs, saíram até no New York Times e passaram a receber doações espontâneas, até do Brasil, conseguindo assim pagar a multa da Receita e reabrir o negócio.

Também é comum incitar a tropa de choque, as milícias bolivarianas pagas a seis dólares por mês por cabeça, contra comícios da oposição.

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LUXOS: ÁGUA E LUZ

Sem o carisma de Corina, que incendeia multidões, González faz o discurso do bom senso e da transição pacífica.

“Primeiro, à comunidade internacional pedimos que acompanhe de perto esse processo porque será definidor para reduzir a imigração e fazer da Venezuela um parceiro confiável”, disse num comício em Aragua.

“Garanto uma alternativa em paz em que todas as forças políticas poderão exercer seus direitos no âmbito da constituição. À Força Armada Nacional: vocês exercem um papel fundamental na segurança de todos. Serei o garantidor da sua institucionalidade”.

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Depois de falar aos Estados Unidos e aos militares, ele propôs: “Imaginemos por um instante o país que está vindo. Um país em que o presidente não insulta, um país em que ao chegar em casa do trabalho você saiba que seu dinheiro tem valor. Em que ao ligar o interruptor, haverá luz, em que ao abrir a torneira, haverá água”.

“Um país sem presos políticos. Nossos aeroportos e fronteiras se encherão de nossos filhos voltando para casa”.

POLÍCIA POLÍTICA

É de arrepiar. Mas os obstáculos são imensos.

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Estará o regime propenso a entregar, se não o poder, os seus símbolos? Se o fizer, conseguirão os novos eleitos reconstruir as instituições totalmente tomadas pelo madurismo? Irão as forças militares, entregues às vantagens do narcotráfico sem restrições, abrir mão de seus privilégios espúrios? Irá Maduro se aposentar em Cuba ou na Nicarágua?

Poucos têm ilusões, mas em momentos como o atual dá vontade de sonhar.

Desde sexta-feira passada, foram presos cinco colaboradores da campanha oposicionista. São acusados de “instigação ao ódio e associação para o crime pelo simples fato de acompanhar nosso candidato”, disse Corina. Dois dos presos “saíram para comprar alguma coisa para almoçar, foram presos e levados para o Helicóide”, acrescentou. O prédio de arquitetura original, em formato de hélice, é a sede da polícia política.

A campanha começa oficialmente em 4 de julho. Uma medida antecipada pela oposição: a cassação do direito de participação na eleição da Mesa da Unidade Democrática, um dos integrantes da frente.

O jogo é sujo e pesado.

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