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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

O que falta ao Brasil dois anos após os atentados do 8 de Janeiro

Entre condenações e expectativas, o Brasil enfrenta o desafio de punir os verdadeiros mandantes da tentativa de golpe

Por Matheus Leitão 8 jan 2025, 17h06 • Atualizado em 8 jan 2025, 17h13
  • A rememoração dos atentados do 8 de Janeiro, que completam dois anos nesta quarta-feira, 8, traz uma nova preocupação para o centro das atenções: se, até aqui, o foco estava nos executores – aqueles que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes –, a expectativa agora recai sobre a responsabilização dos mandantes das cenas de barbárie. Houve avanços com as condenações e prisões, mas já é hora de as punições alcançarem o topo da cadeia.

    Os primeiros sinais da mudança de postura são evidentes: militares de alta patente, como os generais Walter Braga Netto e Mário Fernandes, estão presos, totalizando 37 membros das Forças Armadas indiciados pela Polícia Federal. A sociedade aguarda ansiosamente que o Ministério Público denuncie os envolvidos, visto que as ações do 8 de janeiro representaram apenas a parte visível da engrenagem golpista, gestada por meio de conspirações e planos sombrios, que incluíam até mesmo assassinatos de autoridades e lideranças políticas.

    O Brasil entra em 2025, portanto, com a obrigação de fazer uma escolha: ou promove um acordão para poupar os verdadeiros beneficiários dos crimes, ou rompe com o histórico de impunidade e coloca atrás das grades todos os envolvidos na orquestração da tentativa de golpe.

    A reconstrução material do patrimônio destruído – simbolizada pelo retorno do relógio de Dom João VI ao Palácio do Planalto – já aconteceu. Resta saber se teremos a força necessária para reconstruir a confiança nas instituições.

    Faltam peças importantes nesse quebra-cabeça: nome, rosto e CPF de quem arcou com as despesas e deu suporte à ameça de ruptura – inclusive os setores de grande poderio financeiro, como “o pessoal do agro”. Se não formos além da retórica, o risco de novas conspirações permanecerá no horizonte.

    Fomos capazes de reconstruir o relógio. Precisamos agora virar os ponteiros para mudar o curso da história.

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