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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Cerveja, celular ou dinheiro? O que os golpistas usam para atrair vítimas

No Dia Internacional da Checagem de Fatos, a coluna entrevista Natália Leal, CEO da Agência Lupa, a primeira do segmento no Brasil

Por Matheus Leitão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 abr 2025, 21h30

Apesar de um anúncio de “60 cervejas por R$90” ser tentador, as bebidas não são a principal isca para pegar vítimas em golpes digitais. No Dia Internacional da Checagem de Fatos, um levantamento exclusivo da Lupa mostra que os golpistas são pragmáticos na hora de escolher como atrair para a fraude ou perda de dados: é no bolso que eles atuam. Um pouco mais da metade dos golpes analisados no “Será que é golpe?” mostram que a tática utilizada pelos criminosos é de seduzir as vítimas prometendo ganhos financeiros diretos. 

O recém-lançado “Será que é golpe?” é uma iniciativa da Lupa, a primeira agência de checagem de fatos a operar no Brasil. O site reúne conteúdos verificados sobre diversos tipos de golpes e também orienta sobre o que fazer caso alguém tenha sido vítima. 

Ainda assim, muitas pessoas também são atraídas com a possibilidade de ganhar “mimos”. Celulares e vales-presentes, por exemplo, respondem a 18% cada dos ganhos prometidos em golpes, enquanto chocolate é utilizado em um em cada dez golpes digitais.

Comemorado logo após o Dia da Mentira (1º de abril), o Dia Internacional da Checagem de Fatos (2 de abril) marca a luta contra a desinformação no Brasil e nos demais países. Natália Leal, CEO da Lupa, defende em entrevista à Veja que a desinformação se combate com muita informação. 

“Jamais com supressão, remoção, deleção ou censura. O caminho é sempre pelo diálogo. A polarização e o consumo de informação em bolhas afastam as pessoas do meio do caminho, do consenso. E isso é muito mais emocional do que racional”, afirma. Confira, abaixo, a entrevista: 

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Qual o papel das agências de checagem hoje no Brasil?

Natália Leal – As plataformas que se dedicam ao combate à desinformação fornecem informações que ajudam na tomada de decisão — da mais boba à mais séria. São uma espécie de escudo para todo o barulho que está ao nosso redor, para o excesso de opiniões divergentes vendidas como verdades incontestáveis. 

O que motivou a fundação da Lupa?

Natália Leal – Há dez anos, a Lupa foi criada porque ter informação confiável é fundamental em qualquer situação. Em 2015, isso se aplicava, principalmente, aos discursos de políticos. Dez anos depois, isso vale para todo o campo informacional, seja ele digital ou não. A inspiração da Lupa vem de organizações que se dedicavam à checagem de fatos nos Estados Unidos e na Argentina, o Politifact e o Chequeado. 

Quais os caminhos para sair hoje da bolha de desinformação que o Brasil se encontra? 

Natália Leal – Sempre dizemos que a desinformação não é um problema apenas do jornalismo. Está muito mais no campo da psicologia e da sociologia. Fala muito mais sobre a necessidade do ser humano de pertencer a um grupo e ser reconhecido nele. A desinformação independe do formato em que produzimos conteúdo e, às vezes, até mesmo de expormos dados e fatos concretos e comprováveis que destroem uma mentira. Acreditar ou não em desinformação, nos dias de hoje, é parte constituinte do ser humano, vai posicioná-lo em um espectro político, em um conjunto de crenças e aproximá-lo de pessoas que pensam como ele, gerando uma sensação de pertencimento que é necessária para o viver em sociedade. Esse é um dos motivos pelos quais tanta gente acredita em falsidades, porque esses conteúdos confirmam algo que já faz parte do imaginário, do conjunto de valores e desejos que são formadores dessas pessoas. 

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Natália Leal
Natália Leal (./Divulgação)

Como sair desse ciclo, então?

Natália Leal – Sair desse ciclo passa por pelo menos dois movimentos, um a curto prazo, outro a longo prazo. A curto prazo é necessária a colaboração, a união de diferentes forças para amplificar informação verdadeira, confiável e de qualidade. Não faz sentido que vários checadores se dediquem a verificar a mesma informação, por exemplo. Seria mais eficaz eles trocarem informações para ampliar sua capacidade de checar mais conteúdos. A longo prazo, é preciso que os princípios da checagem façam parte da formação básica de todas as pessoas, assim como, em gerações anteriores, tivemos aulas de datilografia, depois de informática, depois de robótica e assim por diante, com adaptações ao que as mudanças do mundo pediam em termos de habilidades de cada um. Precisamos construir uma nova geração de pessoas capazes de verificar fatos e dados, imagens, vídeos e áudios com autonomia, para construir de forma crítica e livre suas próprias ideias. 

Como os filhos podem ajudar os pais e mães idosos, que não cresceram na geração do digital, a identificar fake news?

Natália Leal – Com muita, muita paciência. E entendendo que gerações diferentes precisam desenvolver habilidades diferentes — e dependem uma da outra para isso. Os mais jovens precisam adotar com as gerações mais velhas o modelo que os checadores usam, de caminhar com o leitor pelo processo de checagem de uma informação, traduzindo para ele todos os passos que comprovam ou não sua veracidade. Brigar, falar alto ou sair do grupo de WhatsApp não são soluções possíveis nesse contexto. 

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A tendência é um mundo digital com mais ou menos desinformação?

Natália Leal – Não dá para saber se haverá mais ou menos desinformação no ar. O que sabemos com certeza é que ela mudará de formato, porque é assim que ela se comporta há anos. Se em 2015 estava na propaganda eleitoral de rádio e TV e nos debates com candidatos, hoje toma conta do universo online e virou tática de comunicação. Há meta-narrativas que se repetem, apoiadas em novas roupagens. O tema fraude em eleições, por exemplo, é global. Não importa o modelo de votação, a desinformação o ataca mesmo assim. Também pouco importa contra qual doença a vacina protege, todas estão sob questionamento. Não importa qual desastre natural afeta uma determinada região, a existência (ou não) do aquecimento global é uma meta-narrativa que interessa. O mesmo vale para os ataques contra o público LGBT+ e o anti-feminismo: a cada ano ou temporada, uma nova frase surge para cumprir esse papel. Pouco importa a frase, a meta-narrativa se repete. Assim, é importante que os brasileiros percebam que essas narrativas existam e sejam capazes de identificá-las para fazer frente a isso em qualquer ambiente ou situação.

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