Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Imagem Blog

Maquiavel

Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Victoria Bechara, Bruno Caniato, Valmar Hupsel Filho e Isabella Alonso Panho. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
Continua após publicidade

Violência na Bahia: o importante recado do governador do PT a Lula

Jerônimo Rodrigues lembrou que os baianos elegeram o presidente e cobrou mais ação do governo federal contra o crime organizado

Por Da Redação 8 jun 2024, 09h28

A Bahia, quarto estado em número de habitantes do país e o maior do Nordeste, vive em uma incômoda posição quando o assunto é a violência: desde 2020, é a unidade da federação que encabeça o ranking de vítimas de assassinatos em números absolutos, superando localidades mais populosas como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Como mostrou reportagem de VEJA na edição desta semana, o avanço das facções criminosas pelo país, em busca de novos territórios e novas rotas de tráfico, colocou todo o Nordeste numa situação delicada: a região concentra quase a metade dos homicídios no país, embora só tenha um quarto da população. Os três estados mais violentos estão na área: além da Bahia, aparecem Pernambuco e Ceará.

A situação tem pressionado o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), que vê a sua popularidade sendo corroída — em Salvador, a desaprovação a seu trabalho subiu de 35%, em janeiro, para 43%, em junho, segundo o instituto Paraná Pesquisas. Isso o coloca na mira dos adversários políticos, já que ele, não só tentará a reeleição em 2026, como tenta emplacar o seu vice, Geraldo Júnior, como prefeito da capital na eleição deste ano.

Na semana que passou, o governador, em conversa com jornalistas, apontou o dedo para seu aliado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na eleição de 2022 obteve no estado a sua maior vitória percentual sobre Jair Bolsonaro: 72% dos baianos optaram pelo petista nas urnas.

Para Jerônimo, o avanço das facções exige uma atuação nacional. “É preciso que esse cerco (aos grupos criminosos) seja feito. Quem tem que fazer isso, a proteção nacional, é o governo federal”, disse. E acrescentou: “Eu não estou jogando a responsabilidade. Estou dizendo o seguinte: Lula, nós elegemos você, queremos essa parceria. Queremos construir isso”, disse.

Facções criminosas

Os números da violência na Bahia são todos superlativos. Só neste ano, foram 1.488 assassinatos no estado. A expansão e fragmentação do crime organizado é uma das explicações. Segundo o Ministério da Justiça, ao menos catorze facções atuam nos presídios do estado. O número é o segundo maior do país, atrás apenas do Rio Grande do Sul, que possui quinze. A Bahia foi a terceira unidade da federação com mais apreensões de fuzis neste ano (28), atrás de Rio e São Paulo. O estado ainda carrega o título de polícia mais violenta — 1.701 mortes em 2023, um quarto de todo o país.

Continua após a publicidade

É preciso que esse cerco (às facções) seja feito. Quem tem que fazer isso, a proteção nacional, é o governo federal. Eu não estou jogando a responsabilidade. Estou dizendo o seguinte: Lula, nós elegemos você, queremos essa parceria. Queremos construir isso”

Jerônimo Rodrigues (PT), governador da Bahia

Acuado, o governador assinou, na terça 4, a criação do Bahia Pela Paz, um programa que visa reduzir as taxas de criminalidade com ações policiais integradas com políticas sociais, de educação, cultura, emprego e saúde.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia também destacou que nos últimos 17 meses investiu em 84 novas unidades para as polícias Militar e Civil, na contratação de 3.200 policiais, além de bombeiros, aeronave, 1.500 viaturas, armamentos e softwares de inteligência.

Dificuldade para Lula no Nordeste

O fato de a crise ser no Nordeste amplia a encrenca política para Lula, porque a região é um histórico reduto eleitoral petista. A derrocada da esquerda local só vai reforçar a desconfiança da população — justa, por sinal — de que esse espectro ideológico tem muitas dificuldades com a pauta.

Nordeste Lula
(Infografia/VEJA)

Lula, em seu terceiro mandato, já deu sinais de que pretende entrar nesse jogo: tanto o ex-ministro da Justiça Flávio Dino quanto o atual, Ricardo Lewandowski, acenaram com a promessa de colocar o cerco às facções criminosas como prioridade de suas atuações na área.

A cobrança, ao que parece, não virá só de Jerônimo Rodrigues. O recém-chegado à região Roberto Sá, novo secretário da Segurança Pública do Ceará — ele tomou posse na segunda 3 — foi na mesma direção do governador baiano. “Os homicídios, em sua maioria, são resultado do conflito entre grupos criminosos, que têm atuação nacional e até transnacional, o que implica na necessidade de atuação integrada com forças federais e de outros países”, disse.

 

 

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.