Câmara: sobrinho de bicheiro pode substituir preso pela morte de Marielle
Ricardo Abrão (União) -- da família do célebre chefe do jogo do bicho Anísio Abraão David, patrono da Beija-Flor -- é suplente de Chiquinho Brazão

A Câmara pode estar prestes a presenciar uma passagem de bastão em uma de suas vagas de deputado federal, caso Chiquinho Brazão, que foi eleito pelo União Brasil do Rio de Janeiro, seja afastado em razão de sua prisão como um dos suspeitos de ter ordenado a execução da vereadora Marielle Franco em 2018.
Brazão foi preso no domingo, 24, a pedido da Polícia Federal, que o aponta como um dos mandantes do crime, ao lado de seu irmão, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e do delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do estado. Preso na Papuda, em Brasília, Chiquinho terá o seu afastamento decidido pelos deputados ainda nesta semana. Ele já foi expulso do União Brasil.
O seu primeiro suplente é Ricardo Martins David (União), que se apresenta politicamente como Ricardo Abrão. Ele é sobrinho de Anísio (ou Aniz) Abraão David, um dos mais célebres bicheiros do Rio de Janeiro, patrono da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis e ex-presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – ele tem hoje 86 anos.

Ricardo Abrão é filho de Farid Abraão David, irmão de Anísio e ex-prefeito de Nilópolis por três mandatos – ele morreu em dezembro de 2020, aos 79 anos, vítima de Covid-19. Também foi dirigente da Beija-Flor e da liga das escolas. Ricardo e Farid nunca foram acusados de envolvimento com o jogo do bicho. Hoje, a prefeitura de Nilópolis é comandada por outro membro do clã, Abraão David Neto, sobrinho de Anísio e de Farid.
Trajetória política
Como boa parte da família, Ricardo Abrão também tem uma trajetória política. Foi deputado estadual no Rio por dois mandatos e já passou por quatro partidos antes de chegar ao União: PP, PDT, PTB e PL. Na legislatura passada, também suplente, assumiu o mandato em três oportunidades.