Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Cai de vez por terra o discurso de que não há corrupção com Bolsonaro

Presidente chegou a dizer que a Lava-Jato acabou porque não tinha mais o que investigar no seu governo; caso envolvendo Milton Ribeiro, porém, não é o único

Por Da Redação Atualizado em 22 jun 2022, 15h00 - Publicado em 22 jun 2022, 09h59

O presidente Jair Bolsonaro (PL) sempre se orgulhou de um ativo que considerava ter: o de nunca ter sido envolvido em nenhum esquema de corrupção. Desde antes da eleição de 2018, ele cunhou uma frase que repetiria, com algumas variações, ao longo do início do governo: a de que seus adversários podiam fazer qualquer ataque a ele, menos chamá-lo de corrupto.

Em outubro de 2020, ao ser acusado de “acabar com a Lava-Jato” – havia rompido com o então ministro Sergio Moro poucos meses antes –, ele disse que a operação acabou porque não tinha mais corrupção. “Eu acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, afirmou.

O discurso agora ficou mais difícil. A prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de corrupção que existia dentro do MEC, uma das principais pastas do governo, é um golpe duro para Bolsonaro em ano eleitoral.

Embora emblemático – é o primeiro integrante ou ex-integrante do governo preso –, o episódio não é exatamente uma exceção, já que o governo teve sobre si outras suspeitas de corrupção, como a tentativa de assinar um contrato milionário com a Covaxin para a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo Ministério da Saúde, que ainda está sob investigação. Houve ainda outras suspeitas envolvendo a compra de imunizantes pela pasta.

Há também casos sob investigação envolvendo o uso de dinheiro público em obras da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), a compra de kits de robótica para escolas e de ônibus escolares com suspeitas de superfaturamento e até investigação sobre tráfico de influência exercido por Jair Renan, filho do presidente, no governo federal.

Também teve um outro ministro muito próximo da prisão. Ricardo Salles (Meio Ambiente) pediu demissão em junho de 2021, em meio ao cerco da Polícia Federal e do Ministério Público Federal por suspeitas de atuação irregular em prol de madeireiras na Amazônia. Ele chegou a ter o seu celular apreendido, o que foi até então a principal medida tomada contra um membro do governo em uma investigação policial.

Nesta manhã, após a prisão de Milton Ribeiro, Bolsonaro tentou se desvencilhar do caso em entrevista à rádio Itatiaia. “Se alguém faz algo de errado, pô, vai botar a culpa em mim?”, questionou.

O fato é que, se a corrupção já era um tema lateral na eleição, porque os dois principais contendores não têm interesse em tratar do tema – Luiz Inácio Lula da Silva e o PT têm muito telhado de vidro nesse aspecto –, agora corre o risco de desaparecer do debate eleitoral. Bolsonaro, certamente, não poderá mais usar o mesmo bordão que usa desde 2018.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)