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Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse e Diogo Magri. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

As indiretas de Barra Torres a Bolsonaro ao liberar CoronaVac a crianças

'É criminoso difundir mentiras através através de fake news' diz chefe da Anvisa, que ainda espera provas de desvio ou pedido de desculpa do presidente

Por Da Redação 20 jan 2022, 15h42

Ao abrir a reunião pública extraordinária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que liberou a aplicação da vacina CoronaVac, do Instituto Butantan, de São Paulo, em crianças de 6 a 11 anos, o presidente da instituição, o contra-almirante da reserva Antonio Barra Torres, deixou claro que está longe de esquecer os ataques proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro à agência, feitos no começo do mês, após os técnicos aprovarem o uso da versão pediátrica do imunizante da Pfizer.

Nesta quinta-feira, 20, assim que deu início à sessão, Barra Torres mandou uma série de recados ao presidente, sem fazer citação direta a seu nome. “É impressionante ver aqui, em meio a um cenário que aponta claramente para os efeitos do avanço da variante Ômicron, que ainda há pessoas que dizem que a pandemia está acabando, ainda há pessoas que dizem que a chegada da variante sinaliza um tempo melhor, sinaliza o fim de uma pandemia já a olhos vistos. Os números não mostram isso”, afirmou.

“É criminoso buscar difundir mentiras através das ‘novidades mentirosas’, do inglês fake news (notícias falsas). Isso não é razoável. Não é razoável levar esse tipo de informação a inúmeras pessoas que não têm acesso, ou não tem tempo pra acessar os canais de informação, porque estão na luta pela vida, pela sobrevivência”, continua.

Antes de dar prosseguimento à reunião, ele falou mais: “Eu gostaria de saber o que as pessoas disseminadoras de fake news vão fazer com os números de mais de 70% de aumento de internação de criança em UTI no dia de hoje. Será que os disseminadores de fake news vão noticiar isso também? Penso que não, né? Infelizmente também não vou noticiar isso aí, porque não interessa.”

As falas tiveram endereço certo. Bolsonaro, quando a Anvisa liberou a vacinação, insinuou que os imunizantes poderiam trazer “riscos” à saúde das crianças e disse que não vacinaria sua filha (Laura, que tem 11 anos) e que a nova variante era “bem-vinda”, uma vez que sinalizaria que a pandemia está perto do fim. Por fim, o presidente da República disse ainda que o corpo da Anvisa teria “interesse” na liberação da vacinação infantil, em uma insinuação de cooptação pela indústria farmacêutica.

Diante dessas falas, Barra Torres já havia publicado uma carta em que pedia que Bolsonaro ou apresentasse provas do que dizia, em especial em referência aos técnicos da Anvisa, ou que se retratasse. Até agora, o presidente não fez nem uma coisa, nem outra.

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