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Letra de Médico

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Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Pandemia engordavírus

Muitos ficaram em casa para não ter o contato com o vírus, mas deixaram de lado o cuidado com o peso, a alimentação e o exercício. É hora de mudar

Por Eduardo Rauen
6 ago 2020, 11h49 • Atualizado em 6 ago 2020, 12h02
  • Álcool gel, máscaras, lavagem das mãos, distanciamento social, home office, delivery… Opa! “Pãodemia”! Bolo mania! Happy hour virtual! Novo cardápio! Menos exercícios, mais televisão, mais ansiedade, mais quilos na balança e mais gordura no corpo! Mais gordura e menos musculatura.

    Essa realidade vem sendo relatada de maneira corriqueira pelas pessoas. Como eu já disse em outro artigo, o ato de descascar mais e desembrulhar menos se perdeu em meio à toda loucura do coronavírus. Para muitas pessoas a alimentação virou uma forma de distração e até mesmo de lidar com a ansiedade, principalmente no começo da pandemia onde tudo parecia ser passageiro.

    O tempo foi passando, as quarentenas renovadas e com o correr das semanas, a brincadeira de “chef” passou a ser um risco para a saúde. A alimentação saudável ficou de lado, assim como o exercício. E agora? As pessoas estão se cuidando ficando dentro de casa para não ter o contato com o vírus, mas deixando de lado o cuidado com o peso, a alimentação e o exercício.

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    Já sabemos que a obesidade aumenta o risco de complicações e de mortalidade se a pessoa for infectada pelo coronavírus. A pessoa obesa integra o grupo de risco para a doença, juntamente com o diabético, hipertenso, portador de doenças auto-imunes, asmáticos, e idosos, entre outros.

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    Há uma série de estudos em andamento que relacionam a gordura com a Covid-19 e que buscam entender melhor quais são os riscos para o paciente desenvolver uma forma mais grave da doença e por quais motivos. São várias hipóteses que estão sendo estudadas, mas é certo que a pessoa acima do peso ou obesa tem maior chance de ter complicações com a doença.

    Agora é o momento do reajuste! Já estamos em plena flexibilização da quarentena e as academias estão começando a reabrir. Para aqueles que por esse motivo não praticavam exercício, esse agora é um bom momento para voltar a fazê-lo. As medidas de precaução continuarão! Até o surgimento de uma vacina eficaz e que consiga abranger praticamente toda a população, devemos estar atentos e alertas aos cuidados com a higiene já claramente conhecidos por todos nós.

    Nossa rotina deve começar a retomar e nela temos que incluir (na verdade nunca deveria ter saído de cena) a alimentação saudável e a volta aos treinos. A perda de massa muscular foi um grande problema nos quase 4 meses de quarentena. Isso porque a falta de treinamento, como a musculação, e até mesmo qualquer outro tipo de exercício, aliado ao fato de estarmos mais reclusos e focados na televisão e na internet, fez com que a perda de musculatura, em especial nos idosos ativos, gerasse uma grande preocupação médica.

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    A musculatura em dia evita problemas relacionados à idade, como osteoporose, fragilidade do idoso, dentre outras doenças que nos preocupam principalmente por afetar um dos principais grupos de risco. No entanto, a retomada do treinamento deve ser gradual, com calma. Para aqueles que ainda não querem frequentar as academias, o treinamento, mesmo que seja em casa, meia hora por dia, isso pode sim trazer um ganho e tanto para quem ficou tanto tempo praticamente parado. O exercício físico regular é muito importante, uma vez que é capaz de fortalecer o nosso sistema imunológico.

    Além de ser importantíssimo para evitar doenças cardiovasculares, o exercício físico atua fortemente como um fator protetor contra vários tipos de câncer. Vale comer menos e melhor, mas os exercícios não podem ficar de lado. Vamos aos poucos novamente substituir a massa gorda por músculos, queimar a gordura em excesso e chegar no peso ideal, com a prática do exercício físico regular. Todos conseguimos!

    O mundo está tentando voltar ao seu “novo normal” e assim, devemos continuar nossa vida. Lembrando que o cuidado com a nossa saúde depende única e exclusivamente de nós mesmos. Ninguém pode comer por nós ou fazer exercícios por nós.

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    Levar o alimento para dentro do nosso organismo é um ato que fazemos de forma consciente e deve ser feito de forma responsável. Parece “bobo”, mas esse ato pode mudar a vida de uma pessoa se feito de forma correta. Alimentos saudáveis, na quantia adequada, no momento certo, aliado a prática contínua de exercícios físicos, gera uma resposta eficaz ao enfrentamento de qualquer doença.

    Nesse momento de pandemia, vimos que muitas pessoas se mobilizaram em prol do próximo, doando alimentos, ajudando o outro. Que tal agora, voltarmos essa atenção para a nossa saúde e retomarmos tudo aquilo que ficou de lado? Caso você ainda não seja adepto de uma boa alimentação e da prática de exercícios físicos, essa pandemia veio também para lembrar que nada mais importante nessa hora do que a nossa saúde. Vamos respeitá-la e cuidá-la, pois sem ela, somos simplesmente seres humanos frágeis e suscetíveis a doenças causadas por inimigos muitas vezes invisíveis, porém altamente destrutíveis.

    Eduardo Rauen
    (VEJA/VEJA)
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